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26 de Abril de 2024

STJ isenta advogados de pagamento solidário por litigância de má-fé

há 10 anos

A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) acolheu recurso interposto pela seccional de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e anulou decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) que havia condenado, por litigância de má-fé, os advogados de uma ação de manutenção de posse ao pagamento solidário de 20% sobre o valor atualizado do débito.

Acompanhando o voto do relator, ministro Raul Araújo, a Turma reiterou que, para fins de responsabilização por dano processual, em caso de litigância de má-fé, devem ser considerados o autor, o réu ou o interveniente, não se incluindo nesse rol os advogados que os representam em juízo.

Segundo o relator, sendo a advocacia uma função essencial à Justiça, a legislação assegura ao advogado determinadas prerrogativas para o pleno exercício de suas atribuições, entre elas a chamada imunidade judicial, disposta no artigo , parágrafo 2º, da Lei 8.906/94.

Além disso, o artigo 14 do Código de Processo Civil e o artigo 32 do Estatuto da Advocacia dispõem que, em caso de lide temerária, o advogado será solidariamente responsável com seu cliente, desde que coligado com este para lesar a parte contrária, o que deverá ser apurado em ação própria.

Portanto, ressaltou o relator em seu voto, os danos porventura causados pelo advogado deverão ser aferidos em ação própria, na qual deve ser apurada sua responsabilidade processual em caso de dolo ou culpa.

Citando jurisprudência firmada pelo STJ, Raul Araújo afirmou que é vedado ao magistrado, nos próprios autos do processo em que praticada a conduta de má-fé ou temerária, condenar o patrono da parte ao pagamento da multa ou da indenização previstas no artigo 18 do Código de Processo Civil.

Assim, o recurso especial interposto pela OAB/SP foi provido para afastar, por inaplicável, a condenação solidária dos patronos do autor ao pagamento da indenização imposta por litigância de má-fé.

Autor da ação

No mesmo julgamento, a Quarta Turma deu parcial provimento ao recurso interposto pelo autor da ação, para manter a aplicação da multa por litigância de má-fé em 1% sobre o valor da causa e afastar o pagamento de 20% sobre o valor atualizado do débito, a título de indenização por litigância de má-fé.

Segundo o ministro Raul Araújo, é certo que o magistrado pode condenar o litigante de má-fé ao pagamento de multa e de indenização pelos danos causados à parte contrária.

Contudo, ressaltou o relator, para fixar a indenização é necessária a demonstração do

prejuízo efetivamente causado à parte adversa, em razão da conduta lesiva praticada no âmbito processual, diferentemente do que ocorre com a multa, para a qual basta a caracterização do dano intrínseco ao processo.

Para ele, no caso em questão, o tribunal paulista fundamentou suficientemente a configuração da má-fé processual, não tendo, entretanto, demonstrado o prejuízo experimentado pela ré.

Desse modo, não há lugar para imposição da indenização de que trata o artigo 18, caput e parágrafo 2º, do Código de Processo Civil. Todavia, é aplicável a multa prevista no caput do mesmo dispositivo, a qual dispensa a demonstração inequívoca do dano à parte contrária, concluiu o ministro.

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6 Comentários

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Penso que neste debate devemos levar em consideração que quem detém a atribuição de verificar e fiscalizar a ética do profissional da advocacia é, exclusivamente, a OAB. Se admitirmos que a magistratura, ao seu alvitre, fiscalize e "puna" o advogado, romperemos completamente com a independência da advocacia e desvirtuaremos uma das funções essenciais da justiça.

Concordo que existem muitos casos envolvendo colegas inescrupulosos e antiéticos. Sem dúvida, tais profissionais devem ser fiscalizados e punidos por seus atos. Mas que o sejam pela própria advocacia; pela OAB, jamais pela magistratura de forma isolada e excepcional.

Parabéns ao STJ! continuar lendo

Muitas vezes tenho pedido condenação por litigância de má fé contra as rés, e me sentiria muito mal se os colegas advogados que as representam fossem incluídos nas mesmas porque tenho certeza que estão agindo sob o comando de quem as contratou e nunca por sua própria vontade. continuar lendo

Excelente tópico. continuar lendo

Discordo.Prerrogativas para exercer a profissão não pode e não deve atropelar a ética.O primeiro passo de um criminalista para defender seu cliente homicida É DENEGRIR A VÍTIMA. Claro,sob as bençãos de OAB,que é crítica ferrenha do governo,porém nem tanto para punir seus associados. continuar lendo