jusbrasil.com.br
25 de Junho de 2022
  • 2º Grau
Entre no Jusbrasil para imprimir o conteúdo do Jusbrasil

Acesse: https://www.jusbrasil.com.br/cadastro

Superior Tribunal de Justiça
ano passado

Detalhes da Jurisprudência

Processo

AREsp 1836924 SP 2021/0039172-4

Publicação

DJ 30/06/2021

Relator

Ministro MARCO BUZZI

Documentos anexos

Decisão MonocráticaSTJ_ARESP_1836924_8c953.pdf
Entre no Jusbrasil para imprimir o conteúdo do Jusbrasil

Acesse: https://www.jusbrasil.com.br/cadastro

Decisão Monocrática

AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1836924 - SP (2021/0039172-4)

RELATOR : MINISTRO MARCO BUZZI

AGRAVANTE : CARLOS AUGUSTO PAOLONE

AGRAVANTE : DANIELLA RIOS SION PAOLONE

ADVOGADOS : MARCELO BELTRÃO DA FONSECA - SP186461A THAIS SCHIAVONI GUARNIERI SILVA REYNOL - SP257532 DANIELLE DE ALMEIDA IGLESIAS - SP408594

AGRAVADO : NADIA GARCIA

ADVOGADO : EDUARDO ALCÂNTARA SPINOLA - SP078494

AGRAVADO : MILTON MOREIRA ROCHA

AGRAVADO : BERTA FELICIDADE SERRÃO SERODIO

ADVOGADO : REGINA CÉLIA CARNEIRO MALATESTA - SP061440

DECISÃO

Trata-se de agravo (art. 1042 do CPC/15), interposto por CARLOS AUGUSTO PAOLONE e OUTRA, contra decisão que não admitiu recurso especial (fls. 2303/2307, e-STJ).

O apelo extremo, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, desafia acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 2216, e-STJ):

AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO DE COBRANÇA DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS EM FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA -DEFERIMENTO DE PEDIDO DE AMPLIAÇÃO DA PENHORA EFETIVADA SOBRE IMÓVEL NO QUAL O AGRAVANTE CARLOS DETÉM FRAÇÃO IDEAL DE 50% - IMPUGNAÇÃO DA AMPLIAÇÃO FUNDADA NA ALEGAÇÃO DE SER O IMÓVEL BEM DE FAMÍLIA - MATÉRIA ACOBERTADA PELA PRECLUSÃO ACÓRDÃOS PROFERIDOS EM AGRAVOS DE INSTRUMENTO E APELAÇÕES ANTERIORES QUE TRATARAM DO TEMA - PRECLUSÃO QUE, NO CASO, É ADMISSÍVEL PORQUE HOUVE DECISÃO ANTERIOR SOBRE A MATÉRIA JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO STJ - POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 843 DO C.P.C., CABENDO AO COPROPRIETÁRIO O VALOR CORRESPONDENTE À SUA COTA-PARTE NO IMÓVEL NOS TERMOS DO §2º DO DISPOSITIVO LEGAL.

Agravo de instrumento improvido.

Opostos embargos de declaração, restaram rejeitados.

Em suas razões de recurso especial, os recorrentes apontam ofensa aos artigos 507, 843 e 1022, I e II, do CPC/15; 1º, 3º e 5º da Lei n.º 8.009/90.

Sustentam, em síntese: (a) negativa de prestação jurisdicional; (b) ausência de preclusão; e (c) a "impenhorabilidade do bem de família é matéria de ordem pública

e, portanto, pode ser alegada a qualquer tempo, até mesmo por simples petição, não se submetendo à preclusão".

Contrarrazões (fls. 2287/2293 e 2295/2302, e-STJ).

Em juízo de admissibilidade, negou-se o processamento do recurso especial, pelos seguintes fundamentos: (i) ausência de ofensa ao artigo 1022 do CPC/15; (ii) não houve demonstração das vulnerações legais suscitadas; e (iii) incidência da Súmula 7/STJ. Quanto à interposição do apelo excepcional pela divergência jurisprudencial, também verifica-se a ausência de cotejo analítico.

Daí o presente agravo (art. 1042 do CPC/15), buscando destrancar o processamento daquela insurgência.

Contraminuta às fls. 2338/2341 e 2343/2345 (e-STJ).

É o relatório.

Decido.

O inconformismo não merece prosperar.

1. Inicialmente, no que diz respeito ao pedido de condenação dos recorrentes por litigância de má-fé trazido em sede de contraminuta, a irresignação não merece prosperar.

Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, o fato de o litigante ter feito uso de recurso previsto em lei não autoriza a imposição de pena por litigância de má-fé, que somente deve ser reconhecida após a demonstração do dolo da parte.

A propósito:

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS - DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE QUE NÃO CONHECEU DO RECLAMO - INSURGÊNCIA DO DEMANDADO. (...) 3. A simples interposição de recurso não se caracteriza litigância de má-fé, salvo se ficar comprovada a intenção da parte de obstruir o trâmite regular do processo (dolo), a configurar uma conduta desleal por abuso de direito. Precedentes. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1427716/PR, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 29/04/2019, DJe 03/05/2019)

No caso dos autos, não se vislumbra a má-fé da parte, a qual se valeu dos recurso cabível pela legislação processual a fim de alcançar sua pretensão.

Passo à análise do agravo.

2. No tocante à apontada violação ao artigo 1022 do CPC/2015, deve ser ressaltado que no recurso especial há somente alegação genérica de negativa de prestação jurisdicional, sem especificação das teses que supostamente deveriam ter sido analisadas pelo acórdão recorrido. Ante a deficiente fundamentação do recurso neste ponto, incide a Súmula 284 do STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia.

Ademais, não se acolhe a alegada negativa de prestação jurisdicional face a ausência de explicitação, pelo Tribunal a quo, dos artigos de lei sobre os quais assentados os fundamentos de decidir, uma vez que basta a análise das teses jurídicas para fins de prequestionamento.

Nesse sentido:

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. ART. 1.022 DO CPC/2015. VIOLAÇÃO. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA Nº 284/STF. DANOS MORAIS E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. MAJORAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. (...) 2. O recurso especial que indica violação do artigo 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, mas traz somente alegação genérica de negativa de prestação jurisdicional, é deficiente em sua fundamentação, o que atrai o óbice da Súmula nº 284 do Supremo Tribunal Federal, aplicada por analogia. (...) 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1398667/RS, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 01/07/2019, DJe 02/08/2019)

AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. TAXAS CONDOMINIAIS. NATUREZA PROPTER REM DA OBRIGAÇÃO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. ARGUMENTOS GENÉRICOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA 284/STF. ACÓRDÃO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA 83/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão tornou-se omisso, contraditório ou obscuro. Aplica-se, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. (...) 3. Razões recursais insuficientes para a revisão do julgado. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1810156/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 10/02/2020, DJe 13/02/2020)

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENSÃO POR MORTE. BENEFICIÁRIO MENOR DE 25 ANOS, MATRICULADO EM INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 165, 458 E 535 DO CPC/1973. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. AFRONTA AO ARTIGO 6º DA LINDB. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. ACÓRDÃO A QUO ANCORADO EM LEGISLAÇÃO LOCAL. SÚMULA 280/STF. (...) 2. A alegação genérica de violação dos artigos 165, 458 e 535 do CPC/1973, sem demonstrar qual questão de direito não foi abordada no acórdão recorrido e a sua efetiva relevância para fins de novo julgamento pelo Tribunal de origem, atrai a aplicação do disposto na Súmula 284/STF. (...) 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 365.360/PE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/08/2017, DJe 17/08/2017)

AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. VANTAGEM PESSOAL NOMINALMENTE IDENTIFICADA. LEI 8.270/91. ATUALIZAÇÃO DECORRENTE DE REVISÃO GERAL. PRECEDENTES DO STJ. OMISSÃO DO ACÓRDÃO REGIONAL. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão se fez omisso, contraditório ou obscuro, bem como da sua relevância para a correta solução da controvérsia. Aplica-se, na hipótese, o óbice da Súmula 284/STF. (...) 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1654714/RJ, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/06/2017, DJe 20/06/2017)

3. No mérito, "é firme a orientação do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que a impenhorabilidade prevista no art. 649 do CPC/1973, com exceção do bem de família, deve ser arguida pelo devedor na primeira oportunidade, sob pena de preclusão" (AgInt no REsp 1707803/MG, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 24/04/2018, DJe 03/05/2018). Ou seja, "a impenhorabilidade de bem de família pode ser alegada em qualquer fase processual ou grau de jurisdição, não se submetendo à preclusão temporal" (AgInt no REsp 1699511/SP, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 13/05/2019, DJe 17/05/2019).

Nada obstante, "opera-se a preclusão consumativa quanto à impenhorabilidade do bem de família quando houver decisão anterior acerca do tema, mesmo se tratando de matéria de ordem pública" (AgInt no AREsp 1357734/SP, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 27/05/2019, DJe 03/06/2019).

No mesmo sentido, os seguintes precedentes:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. RECONSIDERAÇÃO. NOVO EXAME DO AGRAVO NOS PRÓPRIOS AUTOS. BEM DE FAMÍLIA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. CARACTERIZAÇÃO. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA N. 83 DO STJ. AGRAVO INTERNO PROVIDO. AGRAVO NOS PRÓPRIOS AUTOS DESPROVIDO. 1. Opera-se a preclusão consumativa quanto à impenhorabilidade do bem de família quando houver decisão anterior acerca do tema, mesmo se tratando de matéria de ordem pública. Precedentes. 2. Inadmissível o recurso especial quando o entendimento adotado pelo Tribunal de origem coincide com a jurisprudência do STJ (Súmula n. 83/STJ). 3. Agravo interno a que se dá provimento para reconsiderar a decisão da Presidência desta Corte e negar provimento ao agravo nos próprios autos. (AgInt no AREsp 1687899/SP, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 24/08/2020, DJe 31/08/2020)

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DO AGRAVANTE. 1. Opera-se a preclusão consumativa quanto à impenhorabilidade do bem de família quando houver decisão anterior acerca do tema, mesmo se tratando de matéria de ordem pública. Precedentes. 2. A Corte Estadual, ao negar provimento ao agravo de instrumento do insurgente, reconheceu a preclusão consumativa quanto à alegação de impenhorabilidade fundada na arguição de bem de família, porquanto já afastada por decisão anterior. Aresto recorrido em consonância com a orientação do desta Corte Superior. Incidência da Súmula 83 do STJ. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1357734/SP, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 27/05/2019, DJe 03/06/2019)

AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. DEBATE ACERCA DA PENHORA DE IMÓVEL. PRÉVIA DECISÃO DO MAGISTRADO SINGULAR RECONHECENDO A PENHORABILIDADE DO BEM. AUSÊNCIA DE QUESTIONAMENTO JUDICIAL NO TEMPO OPORTUNO. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DESSE ENTENDIMENTO A QUALQUER TEMPO, MESMO EM SE TRATANDO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. LAUDO DE AVALIAÇÃO. CORREÇÃO. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Opera-se a preclusão consumativa quanto à discussão acerca da penhorabilidade ou

impenhorabilidade do bem de família quando houver decisão definitiva anterior acerca do tema, mesmo em se tratando de matéria de ordem pública. Precedentes. 2. Os autos demonstram a existência de duas decisões anteriores transitadas em julgado firmando a possibilidade de penhora do imóvel, o que torna incabível a proteção legal do art. 3º, V, da Lei n. 8.009/1990, ante o teor da força da coisa julgada, prevista no art. 473 do CPC/1973 (art. 507 do novo CPC). 3. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp 1039028/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 09/11/2017, DJe 17/11/2017)

AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. ARTIGO 535 DO CPC/1973. VIOLAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. MULTA. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. SÚMULA Nº 7/STJ. FUNDAMENTO NÃO ATACADO. SÚMULA Nº 283/STF. ENCARGOS CONTRATUAIS. INCIDÊNCIA. EFETIVO PAGAMENTO. BEM DE FAMÍLIA. IMPENHORABILIDADE. PRECLUSÃO. (...) 5. A impenhorabilidade de bem de família pode ser alegada a qualquer tempo e grau de jurisdição. No entanto, uma vez decidido o tema, não pode ser reeditado, pois acobertado pela preclusão. Precedentes. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1518503/PE, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 21/09/2017, DJe 10/10/2017)

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. 1. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível. 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, "embora a impenhorabilidade do bem de família seja matéria de ordem pública, passível de arguição em qualquer fase do processo, na hipótese de haver decisão anterior, opera-se a preclusão consumativa" (AgRg no AREsp 70180/RS, 3ª Turma, Dje de 01/08/2013). 3. Agravo interno no agravo em recurso especial não provido. (AgInt no AREsp 1064475/PI, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/08/2017, DJe 04/09/2017)

CIVIL E PROCESSUAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. PROPÓSITO INFRINGENTE. RECEBIMENTO COMO AGRAVO REGIMENTAL. EXECUÇÃO. IMÓVEL. BEM DE FAMÍLIA. AFASTAMENTO. COISA JULGADA SOBRE A IMPENHORABILIDADE. EXISTÊNCIA. QUESTÃO PRECLUSA. RECURSO MANIFESTAMENTE IMPROCEDENTE. MULTA. ART. 557, § 2º, DO CPC. 1. Em homenagem aos princípios da economia processual e da fungibilidade, devem ser recebidos como agravo regimental os embargos de declaração que contenham exclusivo intuito infringente. 2. Apesar de a impenhorabilidade do bem de família constituir matéria de ordem pública, que comporta arguição em qualquer tempo ou fase do processo, o pronunciamento judicial em sentido negativo provoca a preclusão. 3. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental, ao qual se nega provimento. (EDcl nos EDcl no REsp 1083134/PR, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 20/10/2015, DJe 28/10/2015)

Na hipótese em apreço, o Tribunal local asseverou que a questão apresentada já foi analisada anteriormente, consignando não haver viabilidade na reapreciação do tema alusivo à impenhorabilidade.

É o que se extrai do seguinte excerto do aresto impugnado (fls. 2221/2223, e-STJ):

A questão relativa a bem de família foi considerada prejudicada pela sentença proferida nos embargos de terceiro nº 1007755-15.2015.8.26.0008, verbis: “Em resumo: não é razoável, sob esse enfoque, a oposição de novos embargos de

terceiro, então em detrimento do satisfatório andamento da execução. Não se justificam, sob esse ângulo, novos embargos, onde novamente sustentado, sem fatos novos (surgidos após os primeiros embargos), e para efeito de desconstituição da constrição judicial, a condição de proprietário do imóvel penhorado. Por fim, e à luz dos documentos que acompanharam a última manifestação dos embargantes, exibidos por força de decisão judicial (fls. 121), a intempestividade dos embargos de terceiro resta evidenciada. Isso porque opostos em 11 de junho de 2015, mais de quatro anos depois do deferimento da adjudicação (fls. 141/142), ainda que, bem antes disso, consoante fica demonstrado pelos primeiros embargos opostos pelo embargante, marido da embargante, ambos tivessem conhecimento da execução. Vale dizer: o conhecimento destes embargos de terceiro e, em particular, da única tese verdadeiramente nova, referente à proteção do bem família (que não expressa, entretanto, fato novo, mas sim bem antigo, considerando os alegados mais de vinte e cinco anos que se encontram no imóvel cf. fls. 5), fica prejudicado, e apesar das considerações apresentadas em reforço da validade da penhora. Ora, consoante a regra do art. 1048 do CPC, "os embargos podem ser opostos a qualquer tempo no processo de conhecimento enquanto não transitada em julgado a sentença, e, no processo de execução, até cinco (5) dias depois da arrematação, adjudicação ou remição, mas sempre antes da assinatura da respectiva carta." (grifei) Isto é, a carência da ação por falta de interesse de agir é manifesta.”

Constou na fundamentação do acórdão: “ Cabe aqui reforçar a preclusão consumativa que incide sobre as teses novamente trazidas a juízo pelo coapelante Carlos Augusto Paolone, agora em litisconsórcio com sua esposa Daniella Rios Sion Paolone. Como corretamente ponderou a sentença, os temas novamente trazidos a juízo foram definitivamente resolvidos em julgamento proferido nos embargos de terceiro, cuja sentença foi confirmada por acórdão proferido na apelação nº 0119629-03.2007.8.26.0008 (voto nº 21423). Naquele acórdão, que transitou em julgado em 01/06/2015, restou definitivamente resolvida a legalidade e validade da penhora incidente sobre a metade ideal do imóvel objeto da matrícula nº 48.753, do 4º CRI desta Capital. A exceção se refere única e exclusivamente ao tema da doação, realizada por escritura pública e registrada na matrícula do imóvel sob nº R.04, em 19/12/1997, matéria esta que não foi discutida naqueles embargos. (...). Nesse sentido, e como corretamente asseverou a sentença, permanece incólume o direito real de Nádia sobre metade ideal do imóvel, sendo plenamente válida a penhora aqui atacada, adotando-se, no mais, a fundamentação exposta no acórdão proferido na apelação nº 0119629-03.2007.8.26.0008. Por fim, resta prejudicado o exame das demais matérias arguidas no apelo.”

Os embargos declaratórios foram rejeitados, tendo constado no acórdão que “Como se constata da leitura do acórdão, é claro e evidente que a matéria relativa à arguição de bem de família restou prejudicada, pois a penhora recai sobre a metade ideal pertencente a Nadia, de modo que o exame da matéria pertinente ao objeto dos embargos de terceiro, naquilo em que não fora prejudicada pela preclusão consumativa, restou esgotado.”

O Recurso Especial interposto foi inadmitido. Oposto o agravo contra o despacho denegatório, os recorrentes desistiram do recurso (fls. 2.081/2.091).

Verifica-se, portanto, que todas as matérias alegadas pelos agravantes estão acobertadas pela preclusão, inclusive aquela relativa a bem de família, tanto que eles desistiram de prosseguir no agravo interposto contra o despacho denegatório de recurso especial .

Dessa forma, além de o aresto recorrido encontrar apoio na orientação

jurisprudencial firmada por esta Colenda Corte sobre a matéria, o que atrai a incidência do óbice contido na Súmula 83/STJ, para infirmar as conclusões a que chegou o Tribunal de origem, demandaria, necessariamente, o reexame das provas carreadas aos autos, o que é vedado nesta instância extraordinária, a teor da Súmula 7/STJ.

4. Do exposto, com amparo no artigo 932 do CPC/15 c/c a Súmula 568/STJ, nego provimento ao recurso.

Publique-se.

Intimem-se.

Brasília, 28 de junho de 2021.

MINISTRO MARCO BUZZI

Relator

Disponível em: https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/1239624397/agravo-em-recurso-especial-aresp-1836924-sp-2021-0039172-4/decisao-monocratica-1239624408