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22 de Janeiro de 2022
2º Grau
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Superior Tribunal de Justiça
há 4 meses
Detalhes da Jurisprudência
Processo
AREsp 1896015 SP 2021/0142683-9
Publicação
DJ 22/09/2021
Relator
Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI
Documentos anexos
Decisão MonocráticaSTJ_ARESP_1896015_e1f72.pdf
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Decisão Monocrática

AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1896015 - SP (2021/0142683-9)

RELATORA : MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI

AGRAVANTE : TALITA DE ARAUJO

ADVOGADO : MOACYR PADUA VILELA FILHO - SP228914

AGRAVADO : RENOVA COMPANHIA SECURITIZADORA DE CREDITOS FINANCEIROS S.A

OUTRO NOME : FUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITÓRIOS NÃO

PADRONIZADOS NPL II

ADVOGADOS : MANOEL DA ROCHA MIRANDA FILHO - SP012086 EDUARDO MONTENEGRO DOTTA - SP155456 CARLOS EDUARDO COIMBRA DONEGATTI - SP290089

DECISÃO

Trata-se de agravo, nos próprios autos, de TALITA DE ARAÚJO, objetivando

a reforma da decisão de inadmissão do recurso interposto perante o Tribunal de Justiça

do Estado de São Paulo, em face de acórdão assim ementado (e-STJ fl. 174):

AÇÃO DECLARATÓRIA DE IRREGULARIDADE NO APONTAMENTO COM

PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS - Alegação de inscrição

irregular do nome nos cadastros dos Órgãos de Proteção ao Crédito.

Sentença de improcedência. Pretensão de reforma da r. sentença.

DESCABIMENTO: Comprovação dos débitos que deram causa às

negativações. A falta de notificação não invalida a cessão do crédito e nem a

cobrança. Responsabilidade pela comunicação prevista no artigo 43, § 2º do

CDC que é do órgão mantenedor do cadastro e não do credor. Devedora

que foi regularmente notificada da inscrição. Apontamento nos órgãos de

proteção ao crédito que ocorreu dentro do prazo prescricional quinquenal

previsto no art. 206, § 5º, I do CC. Negativação que decorreu da prática de

ato conservatório do direito do credor. Inexistência de danos morais

Existência de inscrição preexistente. Sentença mantida.

LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. Pretensão da autora de reforma para afastar a

condenação ou subsidiariamente para redução do valor fixado.

IMPOSSIBILIDADE: A autora insurgiu-se contra o débito de forma genérica,

contudo a ré comprovou a origem da dívida cobrada. Presença dos

requisitos necessários para a condenação da parte autora ao pagamento de

multa por litigância de má-fé, que foi corretamente aplicada, tendo o valor

respeitado os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Sentença

mantida.

RECURSO DESPROVIDO.

Não foram opostos embargos de declaração.

Sustenta estarem presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso especial (e-STJ fls. 222/238).

Com contraminuta (e-STJ fls. 241/249), os autos foram encaminhados a esta Corte.

No recurso especial, fundado no artigo 105, III, "a", da Constituição Federal, a parte recorrente aponta violação aos artigos 43, § 1º, do Código de Defesa do Consumidor; e 80, II, do Código de Processo Civil de 2015 (e-STJ fls. 186/199).

Com contrarrazões (e-STJ fls. 201/205).

Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir.

Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte, na sessão realizada em 9.3.2016, o regime de recurso será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, no presente caso, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015.

De pronto, verifico a ausência de requisito extrínseco de admissibilidade, relativo à regularidade formal do agravo interposto.

Com efeito, à luz do princípio da dialeticidade, constitui ônus da parte recorrente expor, de forma clara e precisa, a motivação ou as razões de fato e de direito de seu inconformismo, impugnando os fundamentos da decisão recorrida, de modo a amparar a pretensão deduzida no recurso, requisito essencial à delimitação da matéria impugnada e consequente predeterminação da extensão e profundidade do efeito devolutivo do recurso interposto, bem como à possibilidade do exercício efetivo do contraditório.

Nessa linha, na esteira do entendimento jurisprudencial consagrado na Súmula n. 182/STJ, o inciso III do artigo 932 do mencionado estatuto processual prevê expressamente o não conhecimento do agravo que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão que não admitiu, na origem, o recurso especial.

Ao que se tem dos autos, a decisão agravada negou seguimento ao recurso especial, firmada nos seguintes fundamentos: (i) incidência das Súmulas n. 7 do Superior Tribunal de Justiça e, por analogia, 284 do Supremo Tribunal Federal, segundo as quais, respectivamente, "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial" e "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia"; e (ii) impossibilidade de análise do dissídio jurisprudencial apontado, haja vista que não foram observadas as exigências dos artigos 1.029, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 (correspondente ao artigo 541, parágrafo único, do estatuto processual civil de 1973) e 255, § 1º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça - RISTJ (e-STJ fls. 206/209).

As razões do agravo, entretanto, limitam-se a repisar as alegações do

recurso especial e atacam apenas os fundamentos relativos à (a) aplicação do verbete

sumular n. 7 desta Corte; e (b) impossibilidade de análise do dissídio jurisprudencial

apontado, haja vista que não foram observadas as exigências dos artigos 1.029, § 1º,

do Código de Processo Civil de 2015 (correspondente ao artigo 541, parágrafo único,

do estatuto processual civil de 1973) e 255, § 1º, do RISTJ (e-STJ fls. 222/238), não

impugnando, de forma específica, o outro fundamento adotado na decisão agravada,

impondo-se, de rigor, o não conhecimento do recurso.

Nesse sentido, os seguintes precedentes:

PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. AGRAVO INTERNO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO À FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA N. 182 DO STJ.

[...]

IV - É entendimento desta Corte que não se conhece do agravo interno que não impugna os fundamentos da decisão recorrida. Incidência do enunciado n. 182 da Súmula do STJ.

V - Agravo interno não conhecido.

(AgInt nos EAREsp n. 1.198.210/DF, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 23/3/2021, DJe 26/3/2021).

AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. RAZÕES DO AGRAVO QUE NÃO INFIRMAM TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182 DO STJ. RECURSO MANIFESTAMENTE INADMISSÍVEL. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CPC.

1. Cuida-se, na origem, de ação de rescisão de contratos de fornecimento de combustíveis, comodato e outras avenças, cumulada com pedido de indenização por perdas e danos.

2. Não merece conhecimento o agravo interno que não impugna especificamente todos os fundamentos da decisão agravada.

3. Agravo interno não conhecido, com aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015.

(AgInt nos EREsp n. 1.540.423/DF, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 20/8/2019, DJe 22/8/2019).

Saliente-se que "[...] o agravante deve demonstrar o desacerto da decisão

denegatória, sendo certo que a repetição das razões de recursos anteriores é ineficaz

para tal fim [...]" (AgRg nos EDcl no AREsp n. 718.211/MG, Rel. Ministro João Otávio

de Noronha, Terceira Turma, julgado em 24/5/2016, DJe 1º/6/2016).

Esclareça-se que, em respeito ao princípio da dialeticidade, os recursos

devem ser bem fundamentados, sendo necessária a impugnação específica de todos

os pontos analisados na decisão recorrida, sob pena de não conhecimento, por

ausência de cumprimento do requisito exigido no artigo 544, § 4º, I, do Código de

Processo Civil de 1973 (correspondente ao artigo 932, III, do estatuto processual civil

de 2015).

A propósito:

AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. ATRASO NA ENTREGA. MORA. OCORRÊNCIA. NULIDADE DA CLÁUSULA QUE ESTIPULOU PRAZO DE TOLERÂNCIA POR ATÉ 180 DIAS ÚTEIS. CONCLUSÃO FUNDADA NA APRECIAÇÃO DE FATOS, PROVAS E TERMOS CONTRATUAIS. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. DANOS MORAIS. ÔNUS DA SUCUMBÊNCIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. ART. 932, III, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.

[...]

2. Razões de agravo interno que não impugnam especificamente os fundamentos da decisão agravada, o que, à luz do princípio da dialeticidade, constitui ônus do agravante. Incidência da Súmula n. 182 do STJ e aplicação do art. 932, III do Código de Processo Civil de 2015.

3. Agravo interno desprovido.

(AgInt no REsp n. 1.683.413/RO, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 15/5/2018, DJe 25/5/2018).

AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO A FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. NÃO CONHECIMENTO. ART. 932, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL/2015. SÚMULA 182/STJ. APLICAÇÃO POR ANALOGIA. REVISÃO DO JULGADO. REEXAME DE PROVAS. INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS N. 5 E 7/STJ. NÃO PROVIMENTO.

[...]

2. Em atenção ao princípio da dialeticidade, cumpre à parte recorrente o ônus de evidenciar, nas razões do agravo em recurso especial, o desacerto da decisão recorrida.

[...]

4. Agravo interno a que se nega provimento.

(AgInt no AREsp n. 1.360.316/DF, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 1º/7/2019, DJe 7/8/2019).

Frise-se que, ante o seu caráter incindível, todos os fundamentos da decisão

agravada devem ser objeto de impugnação específica pela parte agravante. Nesse

sentido, cita-se o recente julgado da Corte Especial, que veio a confirmar a

jurisprudência já sedimentada nesta Corte acerca do artigo 544, § 4º, I, do Código de

Processo Civil de 1973:

PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932.

1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º,

I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932.

2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão.

3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais.

4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC.

5. Embargos de divergência não providos.

(EAREsp n. 746.775/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/9/2018, DJe 30/11/2018 – sem destaques no original).

Assim, sem a impugnação específica e suficiente para infirmar o

fundamento da decisão agravada, aplica-se, por analogia, o enunciado n. 182 da

Súmula do Superior Tribunal de Justiça.

Em face do exposto, não conheço do agravo, porquanto não atacados

especificamente os fundamentos da decisão agravada e, ainda, nos termos do artigo

85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, majoro em 10% (dez por cento) a

quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, observados os

limites dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, considerando-se suspensas as exigibilidades

em caso de assistência judiciária gratuita.

Intimem-se.

Brasília, 20 de setembro de 2021.

MARIA ISABEL GALLOTTI

Relatora

Disponível em: https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/1285373971/agravo-em-recurso-especial-aresp-1896015-sp-2021-0142683-9/decisao-monocratica-1285374008

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