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21 de Janeiro de 2022
2º Grau
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Superior Tribunal de Justiça
há 7 anos
Detalhes da Jurisprudência
Órgão Julgador
S2 - SEGUNDA SEÇÃO
Publicação
DJe 07/05/2015
Julgamento
8 de Abril de 2015
Relator
Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO
Documentos anexos
Certidão de JulgamentoSTJ_RESP_1392245_7b866.pdf
Relatório e VotoSTJ_RESP_1392245_d5555.pdf
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Relatório e Voto

Superior Tribunal de Justiça
Revista Eletrônica de Jurisprudência
    Brasília, 26 de outubro de 1999 (data do julgamento) RECURSO ESPECIAL Nº 1.392.245 - DF (2013⁄0243372-9) RECORRENTE : ELOI MARGARIDA DE PAULA GOYA E OUTROS ADVOGADOS : JUCIARA HELENA CRISTINA DE SOUZA BARROS E OUTRO(S)   ANTONIO CAMARGO JUNIOR RECORRIDO : BANCO DO BRASIL S⁄A ADVOGADO : JORGE ELIAS NEHME E OUTRO(S) INTERES.  : INSTITUTO BRASILEIRO DE DEFESA DO CONSUMIDOR IDEC - "AMICUS CURIAE" ADVOGADO : ANDREA LAZZARINI SALAZAR E OUTRO(S) ADVOGADA : MARIANA FERREIRA ALVES INTERES.  : FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE BANCOS FEBRABAN - "AMICUS CURIAE" ADVOGADOS : FÁBIO LIMA QUINTAS E OUTRO(S)   LUCIANO CORREA GOMES

 

RELATÓRIO

 

O SENHOR MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO (Relator):

1. Eloi Margarida de Paula Goya e outros ajuizaram o cumprimento individual da sentença coletiva proferida em ação civil pública anteriormente manejada pelo Idec em face do Banco do Brasil, na qual a instituição financeira fora condenada a incluir o índice expurgado "no cálculo do reajuste dos valores depositados nas contas de poupança com (sic) ela mantidas em janeiro de 1989, até o advento da Medida Provisória nº 32, tudo a ser apurado em liquidação de sentença" (fl. 164, ACP n. 1998.01.016798-9 ou 16.798-9⁄98).

Na fase de execução, os exequentes, como parâmetro de atualização das diferenças expurgadas, apontaram os índices oficiais da poupança com incidência de juros remuneratórios de 0,5%, de forma capitalizada, com correção monetária desde a lesão até a data do efetivo pagamento, de modo a garantir a real recomposição da moeda (fls. 38-46).

O Juízo da 14ª Vara Cível de Brasília⁄DF, acolhendo em parte a impugnação manifestada pelo Banco do Brasil S.A., vedou a incidência de juros remuneratórios capitalizados na diferença apurada e de expurgos inflacionários referentes a outros planos econômicos, ao fundamento de que "acrescentar índices outros implicaria violação à coisa julgada", ficando autorizado apenas que "sobre os valores apurados em liquidação de sentença incidi[ssem] juros moratórios a partir da citação da ação de conhecimento", "mais multa de 10%, conforme art. 475-J do CPC" (fls. 272-276).

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios negou provimento ao agravo de instrumento interposto pelos exequentes contra a referida decisão, nos termos do acórdão assim ementado:

AGRAVO DE INSTRUMENTO - CUMPRIMENTO DE SENTENÇA - COISA JULGADA - EXPURGOS INFLACIONÁRIOS - JUROS REMUNERATÓRIOS - PLANILHA DE CÁLCULOS - IMPOSSIBILIDADE - DECISÃO CONFIRMADA. 1. A execução de título judicial deve observar os limites da coisa julgada, porquanto a Sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas. Inteligência do artigo 468 do Código de Processo Civil. 2. É inviável a incidência de índices concernentes a expurgos inflacionários e juros remuneratórios não contemplados no título judicial, sob pena de violação da coisa julgada. Precedentes do C. STJ e do Eg. TJDFT. 3. Recurso desprovido (fl. 317). --------------------------------------------  

Opostos embargos declaratórios (fls. 332-338), foram rejeitados (fls. 340-355).

Sobreveio recurso especial apoiado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, no qual se alegou, além de dissídio jurisprudencial, ofensa ao art. 1º da Lei n. 6.899⁄1981.

Sustentam, em síntese, o cabimento da inclusão, nos cálculos de liquidação individual, dos expurgos inflacionários relacionados a planos econômicos não apreciados explicitamente pela sentença, porquanto fazem parte da correção plena do débito, para que seja mantido o real valor da moeda.

Quanto aos juros remuneratórios referentes ao período entre o plano econômico de que resultaram os expurgos e o ajuizamento da ação, aduzem que tal rubrica é parte integrante da remuneração das cadernetas de poupança, figurando como juros ex lege, motivo por que sua incidência independeria de pedido ou condenação.

Contra-arrazoado (fls. 397-407), o recurso especial foi admitido (fls. 410-411).

Ascendendo os autos a esta Corte, verifiquei haver multiplicidade de recursos a versar o tema acerca da possibilidade de inclusão de expurgos inflacionários e de juros remuneratórios na fase de cumprimento individual de sentença coletiva, na hipótese de não haver condenação a tais rubricas no título judicial formado em sede de ação civil pública - no caso, sentença proferida na Ação Civil Pública n. 1998.01.016798-9, ajuizada pelo Idec em desfavor de Banco do Brasil S.A., a qual tramitou na 12ª Vara Cível de Brasília⁄DF.

Por isso, afetei o julgamento do tema em destaque à eg. Segunda Seção, nos termos do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ n. 8⁄2008 (fls. 232-233).

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor - Idec, na condição de amicus curiae, manifestou-se nos seguintes termos:

a) o título judicial objeto da presente demanda abarca os juros remuneratórios, não somente devido a causa de pedir e o pedido inicial do autor prever a sua incidência, assim como pela sentença não ter sido reformada neste ponto em específico, sob pena de violação à coisa julgada; b) os juros remuneratórios decorrem do principal e devem ser capitalizados mês a mês em conjunto com a correção monetária, para garantia do contrato anteriormente firmado com a instituição financeira e para que não haja infringência à lei federal, que previa a mecânica de remuneração das cadernetas de poupança, sob pena de violação ao direito adquirido dos poupadores; c) nos termos da jurisprudência deste tribunal superior, os juros remuneratórios recebem tratamento idêntico à correção monetária e seu cômputo nos cálculos iniciais do cumprimento individual de sentença não ofende o alcance objetivo da coisa julgada, ainda que o título seja omisso, por equiparar-se a matéria de ordem pública; d) em respeito à coisa julgada, à garantia constitucional do direito adquirido e até mesmo ao entendimento desta Corte, ao presente Recurso Especial deve ser negado provimento, mantendo a possibilidade de inclusão dos juros remuneratórios no cumprimento individual da sentença coletiva por todos os poupadores que se enquadrarem na situação descrita no título judicial, mesmo que se considere como omisso o título executivo judicial; e) com relação ao reconhecimento da possibilidade de inclusão dos expurgos inflacionários na correção monetária a jurisprudência dessa E. Corte mostra-se absolutamente consolidada no sentido favorável aos consumidores; f) observe-se, ainda, que a jurisprudência acima transcrita predomina tanto na Segunda Seção quanto na Corte Especial. g) assim, em respeito ao princípio da justa indenização, isonomia e vedação ao enriquecimento sem causa, os valores oriundos de condenação do Plano Verão devem ser corridos com a aplicação dos expurgos subsequentes a 1989. h) pacificado esse entendimento e plenamente condizente com os ditames do nosso sistema jurídico, espera o ora manifestante que seja ele nos termos expostos consolidado, com o fim de sua uniformização nesse Tribunal e orientação das instâncias locais (fls. 428-454). --------------------------------------------  

A Federação Brasileira de Bancos - Febraban, por sua vez, também na condição de amigo da Corte, manifestou-se no sentido de

que deve ser repelida a iniciativa de inserir "expurgos inflacionários" não contemplados no título executivo judicial nos cálculos de liquidação de sentença, devendo reconhecer esse Superior Tribunal de Justiça que a correção monetária dos débitos decorrentes de decisões judiciais está jungida estritamente à aplicação da legislação específica. Espera a FEBRABAN, ainda, que seja (re)afirmada a orientação, no âmbito do regime dos recursos repetitivos, de que não é permitida a inclusão de juros remuneratórios em fase de execução de sentença transitada em julgado que não contemplou expressamente esse capítulo na condenação, em respeito à coisa julgada (fls. 476-498). --------------------------------------------  

O Ministério Público Federal, mediante parecer elaborado pelo i. Subprocurador-Geral da República Humberto Jacques de Medeiros, opinou pelo provimento do recurso especial nos termos da seguinte ementa:

Recurso Repetitivo. Artigo 543-C do Código de Processo Civil. Expurgos Inflacionários. Juros remuneratórios. Inclusão em liquidação de sentença. Ofensa à coisa julgada. Pedido implícito. Artigo 293 do Código de Processo Civil. [...] Em relação à inclusão dos expurgos inflacionários deve ser reafirmado o entendimento da Corte Especial que consolidou o entendimento no sentido de ser possível a inclusão dos expurgos inflacionários em liquidação de sentença, antes de homologados os cálculos e ainda que não tenham sido eles objeto do pedido deduzido na inicial (AgRg no ERESP 354.569⁄DF, Rel. Min. Castro Meira, DJ 13.8.2010 e do ERESP 208.109, Rel. Min. Barros Monteiro, DJ 11.12.2006). Assim como os juros de mora e a correção monetária são considerados pedidos implícitos (art. 293, do Código de Processo Civil), podendo ser incluídos na liquidação ainda que não haja pedido expresso ou que não conste expressamente no título judicial, os juros remuneratórios aplicáveis a caderneta de poupança, por decorrerem de lei, devem ser aplicados ao cálculo ainda que não tenha havido expressa previsão no título judicial. O dinheiro é a matéria-prima do sistema bancário e é através de sua multiplicação que a instituição bancária obtém excelentes resultados lucrativos, o que não é dado ao poupador singularmente atingir. Dessa forma, deve pagar integralmente pela matéria-prima com que trabalha, remunerando satisfatoriamente o capital investido. A não aplicação dos juros remuneratórios para os poupadores estimula o sistema bancário a não honrar com seus deveres, pois a instituição bancária lucrará mais com o não cumprimento do dever de remunerar adequadamente a utilização do capital de terceiros, violando o pacta sunt servanda. Não se pode conceber um sistema no qual as instituições financeiras e bancárias estão liberadas da limitação dos juros imposta pela Lei da Usura, mas, em contrapartida, não estão obrigadas a pagar os rendimentos mínimos estabelecidos em lei aos consumidores. A manutenção deste entendimento viola a boa-fé objetiva que deve reger as relações entre os Bancos e os consumidores. O entendimento desta Corte em merece ser revisto em sede de recurso repetitivo para que sejam incluídos os juros remuneratórios na fase de cumprimento de sentença, ainda que não tenha havido previsão expressa no título judicial. Parecer pelo provimento do recurso especial (fls. 524-525). --------------------------------------------  

 

O Banco Central do Brasil - Bacen - formulou pedido de ingresso no feito como assistente litisconsorcial, ou, subsidiariamente, como interveniente anômalo, com base no art. 5º, parágrafo único, da Lei n. 9.469⁄1997 ou, ainda, como amicus curiae, nos termos do art. 543-C, § 4º, do CPC e art. 3º, inciso I, da Resolução STJ n. 8⁄2008.

Postula, primeiramente, o sobrestamento do processo com a finalidade de aguardar o julgamento da constitucionalidade dos expurgos inflacionários pelo Supremo Tribunal Federal (ADPF n. 165, RE n. 591.797, RE n. 632.212, RE n. 631.363 e RE n. 626.307). Caso não acolhido o pedido de suspensão nessa extensão, requer o Bacen a retirada do processo de pauta, concedendo-se-lhe prazo razoável para apresentar manifestação escrita (fls. 539-560).

É o relatório.

RECURSO ESPECIAL Nº 1.392.245 - DF (2013⁄0243372-9) RELATOR : MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO RECORRENTE : ELOI MARGARIDA DE PAULA GOYA E OUTROS ADVOGADOS : JUCIARA HELENA CRISTINA DE SOUZA BARROS E OUTRO(S)   ANTONIO CAMARGO JUNIOR RECORRIDO : BANCO DO BRASIL S⁄A ADVOGADO : JORGE ELIAS NEHME E OUTRO(S) INTERES.  : INSTITUTO BRASILEIRO DE DEFESA DO CONSUMIDOR IDEC - "AMICUS CURIAE" ADVOGADO : ANDREA LAZZARINI SALAZAR E OUTRO(S) ADVOGADA : MARIANA FERREIRA ALVES INTERES.  : FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE BANCOS FEBRABAN - "AMICUS CURIAE" ADVOGADOS : FÁBIO LIMA QUINTAS E OUTRO(S)   LUCIANO CORREA GOMES  

 

EMENTA

DIREITO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C DO CPC. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. PLANO VERÃO (JANEIRO DE 1989). EXECUÇÃO INDIVIDUAL. INCLUSÃO DE JUROS REMUNERATÓRIOS E DE EXPURGOS SUBSEQUENTES. OMISSÃO DO TÍTULO.

1. Na execução individual de sentença proferida em ação civil pública que reconhece o direito de poupadores aos expurgos inflacionários decorrentes do Plano Verão (janeiro de 1989): 1.1. Descabe a inclusão de juros remuneratórios nos cálculos de liquidação se inexistir condenação expressa, sem prejuízo de, quando cabível, o interessado ajuizar ação individual de conhecimento; 1.2. Incidem os expurgos inflacionários posteriores a título de correção monetária plena do débito judicial, que terá como base de cálculo o saldo existente ao tempo do referido plano econômico, e não os valores de eventuais depósitos da época de cada plano subsequente.

2. Recurso especial parcialmente provido.

 

VOTO

 

O SENHOR MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO (Relator):

 

2. Preliminarmente, submeto ao exame do Colegiado os pedidos formulados pelo Bacen.

2.1. Segundo penso, descabe o ingresso da autarquia como assistente litisconsorcial. Não vislumbro como o julgamento ora iniciado haverá de intervir, de forma inequívoca, na relação jurídica existente entre o postulante (Bacen) e o suposto assistido (Banco do Brasil), circunstância exigida pelo art. 54 do Código de Processo Civil para a assistência qualificada.

Na verdade, se bem compreendida a postulação, a se reconhecer a existência de interesse próprio do Bacen em causas desse jaez - o único a autorizar seu ingresso como assistente litisconsorcial, nos termos do art. 54 do CPC -, ter-se-ia o deslocamento de todos os processos em trâmite no primeiro grau para a Justiça Federal, o que causaria um grande desajuste no sistema de forma injustificável e desnecessária.

2.2. Porém, é o caso da intervenção anômala prevista no art. 5º, parágrafo único, da Lei n. 9.469⁄1997, assim redigido:

As pessoas jurídicas de direito público poderão, nas causas cuja decisão possa ter reflexos, ainda que indiretos, de natureza econômica, intervir, independentemente da demonstração de interesse jurídico , para esclarecer questões de fato e de direito, podendo juntar documentos e memoriais reputados úteis ao exame da matéria e, se for o caso, recorrer, hipótese em que, para fins de deslocamento de competência, serão consideradas partes. --------------------------------------------  

O entendimento do STJ é no sentido de ser tolerável a intervenção anômala da União e suas autarquias com fulcro no art. 5º da Lei n. 9.469⁄1997, independentemente de demonstração de interesse jurídico, para esclarecer questões de fato ou de direito, ingresso esse que não desloca a competência para a Justiça Federal, segunda sólida jurisprudência (REsp 1.097.759⁄BA, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 21⁄05⁄2009, DJe 01⁄06⁄2009; REsp 1.306.828⁄PI, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 17⁄12⁄2013, DJe 13⁄10⁄2014; AgRg no REsp 1.045.692⁄DF, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 21⁄06⁄2012, DJe 29⁄06⁄2012).

2.3. Todavia, não cabe a suspensão do processo, nem para aguardar o julgamento da ADPF n. 165 e do RE n. 591.797, RE n. 632.212, RE n. 631.363 e RE n. 626.307, nem para franquear ao Bacen prazo razoável à juntada de manifestação escrita.

A decisão proferida pelo em. Ministro Gilmar Mendes no RE 632.212, por exemplo, determinou a "suspensão de qualquer julgamento de mérito nos processos que se refiram à correção monetária de cadernetas de poupança em decorrência do Plano Collor II, excluindo-se desta determinação as ações em sede de execução" (RE n. 632.212 ED⁄SP, DJe 9⁄8⁄2011).

Na mesma linha, o em. Ministro Dias Toffoli, na relatoria do RE n. 591.797, excepcionou expressamente a suspensão dos feitos em fase de execução definitiva, limitando a suspensão, ademais, aos processos referentes à correção monetária de cadernetas de poupança.

Nesse sentido, Sua Exa. deixou expresso que "não é obstada a propositura de novas ações, a distribuição ou a realização de atos da fase instrutória. Não se aplica esta decisão aos processos em fase de execução definitiva e às transações efetuadas ou que vierem a ser concluídas" (RE n. 591.797⁄SP, DJe 31⁄8⁄2010).

Com efeito, segundo penso, por no mínimo três motivos as decisões proferidas pelo eg. STF não atingem os recursos ora em julgamento:

(i) não se trata de discussão a envolver índices de correção monetária de cadernetas de poupança . No caso em apreço, os únicos expurgos referentes à poupança são os resultantes do Plano Verão , sobre eles há coisa julgada e constituem eles exatamente o objeto da execução definitiva da sentença coletiva. O que se discute agora é a atualização monetária do débito judicial formado na fase de conhecimento, e não dos depósitos em poupança à época dos planos econômicos ;   (ii) trata-se de processo já em fase de execução definitiva dos expurgos referentes ao Plano Verão (janeiro de 1989) , hipótese expressamente excepcionada pelas decisões dos em. ministros do STF;   (iii) de resto, a prosperar a tese de que os julgamentos ora iniciados devem ser suspensos, em boa verdade, ter-se-ia de suspender quase todas as demandas no País em fase de execução que remontassem à década de 90, sejam elas referentes a poupança ou não , porquanto todos os tribunais da Federação consideram os expurgos inflacionários dos planos econômicos em suas tabelas práticas para o fim de atualização de débitos judiciais.  

Quanto ao pedido de retirada de pauta para que o Bacen ofereça manifestação escrita, cumpre ressaltar que, até mesmo para os assistentes que ingressam no feito com legítimo interesse jurídico, se aplica a regra segundo a qual "o assistente recebe o processo no estado em que se encontra" (CPC, art. 50, parágrafo único).

A mesma conclusão deve ser aplicada aos intervenientes amparados na Lei n. 9.469⁄1997. Nesse sentido, em precedente específico sobre o tema, asseverei que, "conquanto a Lei n. 9.469⁄97 autorize a intervenção da União em feitos dessa natureza, esta receberá o processo no estado em que se encontra (art. 50, § único, do CPC)" (REsp 708.040⁄RJ, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 19⁄02⁄2009, DJe 09⁄03⁄2009).

Em situações análogas, confiram-se também: AgRg no REsp 1.045.692⁄DF, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 21⁄06⁄2012, DJe 29⁄06⁄2012; AgRg na RCDESP no REsp 556.382⁄DF, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Rel. p⁄ Acórdão Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 28⁄02⁄2012, DJe 12⁄04⁄2012.

Ademais, o despacho de afetação foi publicado no dia 23⁄9⁄2014 e o Bacen somente na última sexta-feira, dia 5⁄12⁄2014, quase às 18 horas, moveu-se no sentido de buscar seu ingresso na lide, o que impõe, com maior razão, o recebimento do caso no estado em que se encontra.

2.4. Portanto, defiro o ingresso do Banco Central do Brasil - Bacen - como interveniente anômalo (art. 5º, parágrafo único, da Lei n. 9.469⁄1997), devendo receber o processo no estado em que se encontra (art. 50, parágrafo único, do CPC), inclusive com a possibilidade de sustentação oral, caso queira.

3. Na linha da prática costumeira desta Seção, em regra, somente os temas com jurisprudência sólida no STJ têm sido objeto de submissão ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução n. 8⁄2008 do STJ.

A presente afetação não destoa dessa sistemática, e a solução que ora encaminho visa a reforçar a estabilização de uma jurisprudência que, a rigor, se encontra pacificada em todas as seções desta Corte e no eg. STF, circunstância a revelar a grande corrosão à segurança jurídica que poderia resultar de uma guinada jurisprudencial em temas que repousam tranquilos no âmbito forense.

Disso resulta que a postura do Poder Judiciário desponta como de elevada importância na concretização da segurança jurídica, notadamente pela entrega de uma prestação jurisdicional previsível que não atente contra a confiança legítima do jurisdicionado (NUNES, Jorge Amaury Maia. Segurança jurídica e súmula vinculante. São Paulo: Saraiva, 2010 [Série IDP], passim).

Deveras, parece não haver dúvida de que, se a ideia de previsibilidade e de estabilidade está intrínseca, por exemplo, na de coisa julgada, no direito adquirido, ato jurídico perfeito, leis claras, estáveis e de aplicação prospectiva - ou seja, manifestações particulares do valor segurança jurídica -, a atividade jurisdicional não pode se extraviar desse prumo. Do contrário, causaria grave insegurança ao jurisdicionado e, em última conta, um significativo desajuste no sistema.

Portanto, o que ora se propõe nada mais é do que a reverência aos precedentes e, por consequência, à segurança jurídica, princípio intrínseco ao próprio Estado de Direito.

4. Com essas ponderações iniciais, avanço no julgamento e ressalto que são dois os temas a ser abordados: a possibilidade de inclusão de (i) expurgos inflacionários referentes a planos econômicos diversos, mas para fins de correção monetária do débito judicial; e (ii) juros remuneratórios, ambos na fase de cumprimento individual de sentença coletiva, na hipótese de não haver condenação a tais rubricas no título judicial formado em sede de ação civil pública.

4.1. Da inclusão de juros remuneratórios na fase de execução

O acórdão proferido pelo TJDFT entendeu descaber o cômputo de juros remuneratórios apenas na fase de cumprimento de sentença por falta de previsão expressa no título exequendo, nos termos do voto condutor (na parte que interessa):

[...] revela-se inviável a pretensão de incidência de juros remuneratórios no percentual de 0,5% (meio por cento) ao mês, uma vez que o titulo judicial não prevê o seu cômputo, sendo que o C. STJ já se pronunciou, em casos similares, acerca da impossibilidade de sua inclusão nos cálculos do quantum devido. [...] Com efeito, em que pese o pedido na inicial da Ação Civil Pública ostentar requerimento de cômputo de juros remuneratórios (fl. 135), não houve determinação expressa no título executivo acerca de sua incidência, o que impõe a sua exclusão dos cálculos, sob pena de ofensa à coisa julgada. Registre-se que nem a alegada força do contrato de depósito em caderneta de poupança ampara a pretensão de incidência dos juros remuneratórios capitalizados no percentual de 0,5% (meio por cento) ao mês, uma vez que os parâmetros definidores para a apuração do quantum se encontram estabelecidos no dispositivo da r. Sentença (fls. ). ------------------------------------------  

Confronto, primeiramente, o pedido deduzido na ação civil pública com sua procedência, e analiso a possibilidade de, a partir daí, resultar a condenação ao pagamento de juros remuneratórios.

O pedido do Idec, na ação civil pública em exame, foi apresentado nos seguintes termos:

[...] devendo ser julgada PROCEDENTE, com a CONDENAÇÃO GENÉRICA, a que se refere o art. 95, do CDC, obrigando o réu a pagar, com a devida atualização monetária e juros, a diferença existente entre o rendimento de 71,13%, apurado em janeiro⁄89 (inflação de 70.28%, apurada pelo IBGE, mais juros de 0,5% ), ou seja, 48,16%, aplicável ao saldo existente em janeiro de 1989 [...] (fl.). ------------------------------------------  

A sentença proferida pelo Juízo da 12ª Vara Cível de Brasília no âmbito da ação coletiva, por sua vez, não deixa dúvida de que os juros remuneratórios não foram contemplados em seu dispositivo, a despeito do pedido do Idec:

[...] julgo procedente o pedido inaugural para condenar a ré, de forma genérica, observado o art. 95, do Código do Consumidor, a incluir o índice de 48,16% (quarenta e oito inteiros e dezesseis décimos percentuais) no cálculo do reajuste dos valores depositados nas contas de poupança com ela mantidas em janeiro de 1989, até o advento da Medida Provisória nº 32, tudo a ser apurado em liquidação de sentença (fl. ) ------------------------------------------  

Nesse ponto, na linha do que asseverei na relatoria do REsp 846.954⁄MG, Quarta Turma, julgado em 22⁄11⁄2011, uma sentença de procedência, nos termos da configuração adotada no caso ora em apreço, nem sempre conduz à conclusão de que todos os pedidos foram acolhidos tais como deduzidos pelo autor.

O dispositivo da sentença, como observa Humberto Theodoro Júnior, "pode ser: a) direto, quando especifica a prestação imposta ao vencido; ex.: pagar o réu a importância X ao autor; b) indireto, quando o juiz apenas se reporta ao pedido do autor para julgá-lo procedente ou improcedente" (Curso de direito processual civil. Vol. I. 50ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2009, p. 501).

É bem verdade que há um eixo lógico que une a causa de pedir à fundamentação da decisão e o pedido ao dispositivo, "entendendo-se que este nada mais é que uma resposta positiva ou negativa àquele" (DINAMARCO, Cândido Rangel. Fundamentos do processo civil moderno. Tomo I. 6 ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 346-348).

Porém, evidentemente, recorre-se à inicial quando a própria sentença não traz em seu bojo os termos em que o pedido foi acolhido, ou seja, quando o dispositivo é do tipo "indireto", simplesmente acolhendo o pedido do autor.

Explicitando a sentença em que termos se está a deferir o pedido, muito embora sem ressalvas quanto a acolhimento parcial, a celeuma resolve-se no âmbito da sucumbência, de modo que eventual deficit quanto ao que foi pleiteado deve ser resolvido oportunamente, mediante utilização dos recursos cabíveis.

Não há fundamento sólido na afirmação de que, se o pedido foi acolhido sem ressalvas, a execução deve ser pautada segundo o que fora pleiteado na inicial. A prosperar tal entendimento, o título executivo não seria a sentença, mas a própria petição inicial do autor.

Com efeito, no caso em exame, não tendo a sentença coletiva contemplado expressamente os juros remuneratórios, descabe buscar na inicial da ação a justificação de sua incidência implícita.

Por outra ótica, cumpre ressaltar que juros remuneratórios e juros moratórios recebem tratamento bastante distinto pela lei civil e processual civil.

Os juros moratórios, em sua acepção estritamente jurídica, são juros legais, para cuja incidência se dispensa pedido expresso ou mesmo condenação, mercê do que dispõe o art. 293 do Código de Processo Civil:

Art. 293. Os pedidos são interpretados restritivamente, compreendendo-se, entretanto, no principal os juros legais. ------------------------------------------  

É em contemplação dos juros de mora que o Supremo Tribunal Federal, de longa data, editou a Súmula n. 254: "Incluem-se os juros moratórios na liquidação, embora omisso o pedido inicial ou a condenação".

Nesse sentido, é a torrencial jurisprudência da Casa: AgRg nos EDcl no Ag 1.430.701⁄SC, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 21⁄08⁄2014, DJe 04⁄09⁄2014; AgRg no Ag 1.238.729⁄PE, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 10⁄08⁄2010, DJe 13⁄09⁄2010; REsp 402.724⁄SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 06⁄04⁄2010, DJe 19⁄04⁄2010; AgRg no AgRg no Ag 727.416⁄MG, Rel. Ministro VASCO DELLA GIUSTINA (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ⁄RS), TERCEIRA TURMA, julgado em 18⁄02⁄2010; AgRg nos EmbExeMS 4.301⁄DF, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 10⁄03⁄2010, DJe 29⁄03⁄2010; REsp 590.530⁄SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06⁄12⁄2005, DJ 13⁄02⁄2006, p. 664; REsp 162.538⁄SP, Rel. Ministro MILTON LUIZ PEREIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21⁄03⁄2000, DJ 05⁄06⁄2000.

Os juros remuneratórios, a seu turno, no mais das vezes, são contratuais, cujo reconhecimento depende de pedido expresso e, para ser executado, de condenação na fase de conhecimento.

De fato, desde o Código Civil de 1916, devem ser compreendidos na categoria de "juros legais" apenas os moratórios, mercê do que dispunham os arts. 1.062 e 1.064 do diploma revogado, ambos sob capítulo intitulado "Dos Juros Legais":

Art. 1.062. A taxa dos juros moratórios, quando não convencionada (art. 1.262), será de seis por cento ao ano. [...] Art. 1.064. Ainda que se não alegue prejuízo, é obrigado o devedor aos juros da mora, que se contarão assim às dividas em dinheiro, como às prestações de outra natureza, desde que lhes esteja fixado o valor pecuniário por sentença judicial, arbitramento, ou acordo entre as partes. ------------------------------------------  

A mesma disposição acima citada encontra-se presente nos arts. 406 e 407 do Código Civil de 2002.

A jurisprudência do STJ é tranquila no sentido de não permitir a incidência de juros remuneratórios na fase de execução, se a sentença foi omissa quanto ao ponto:

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA N. 1998.01.016798-9 DE BRASÍLIA⁄DF. IDEC VS. BANCO DO BRASIL. JUROS REMUNERATÓRIOS. AUSÊNCIA DE CONDENAÇÃO. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA. INCLUSÃO DA VERBA. IMPOSSIBILIDADE. COISA JULGADA. 1. Não tendo havido condenação expressa ao pagamento de juros remuneratórios na ação civil pública n. 1998.01.016798-9 (Idec vs. Banco do Brasil), que tramitou na 12ª Vara Cível de Brasília⁄DF, descabe a inclusão dessa verba na fase de execução individual , sob pena de indevida ampliação do alcance objetivo da coisa julgada (REsp 1349971⁄DF, de minha relatoria, QUARTA TURMA, julgado em 26⁄08⁄2014, DJe 15⁄09⁄2014) 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 351.431⁄SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 18⁄11⁄2014, DJe 21⁄11⁄2014) ------------------------------------------   AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. RESTITUIÇÃO DE VALORES. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. INCLUSÃO DE JUROS REMUNERATÓRIOS NA FASE DE LIQUIDAÇÃO. INADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO NO TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL. RESPEITO À COISA JULGADA. 1. A jurisprudência pacífica deste Tribunal Superior é no sentido de que a inclusão, em fase de liquidação, de juros remuneratórios não expressamente fixados em sentença ofende a coisa julgada . Essa hipótese é distinta da incorporação nos cálculos da execução da correção monetária e dos juros de mora antes omissos no título exequendo. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 43.936⁄RJ, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 10⁄06⁄2014, DJe 18⁄06⁄2014) ------------------------------------------   AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. JUROS REMUNERATÓRIOS NÃO FIXADOS EM SENTENÇA. INCLUSÃO NA FASE DE LIQUIDAÇÃO. OFENSA À COISA JULGADA. DECISÃO MANTIDA PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. RECURSO NÃO PROVIDO. 1 - Segundo orientação fixada por este Superior Tribunal, diversamente do que sucede com os juros moratórios (Súmula n° 254⁄STF), ofende a coisa julgada a inclusão, em fase de liquidação, de juro remuneratório não expressamente fixado em sentença . Precedentes da Segunda Seção do STJ. 2 - Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no Ag 1339464⁄RJ, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 20⁄10⁄2011, DJe 28⁄10⁄2011) ------------------------------------------   PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL. COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA. PEDIDO. INOVAÇÃO. NÃO CABIMENTO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 458 E 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA DE OFENSA. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 211⁄STJ E 282⁄STF. AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE JUÍZO DE VALOR. MULTA. ART. 538 DO CPC. APLICAÇÃO. [...] 2. Os juros remuneratórios não se enquadram na categoria de juros legais a que se refere o art. 293 do CPC. Pedido não constante da petição inicial . [...] (AgRg no AREsp 23.380⁄SP, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, TERCEIRA TURMA, julgado em 17⁄10⁄2013, DJe 24⁄10⁄2013) ------------------------------------------   AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. EXPURGOS DE POUPANÇA. JUROS REMUNERATÓRIOS. INCLUSÃO DA FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DESCABIMENTO. PRINCÍPIO DA FIDELIDADE AO TÍTULO. 1. Limitação do cumprimento de sentença ao exato comando expresso no título executivo (princípio da fidelidade ao título). 2. Descabimento da inclusão, sem amparo no título executivo, de juros remuneratórios no cumprimento de sentença condenatória ao pagamento de expurgos inflacionários de caderneta de poupança . 3. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (AgRg no REsp 1172763⁄SC, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 20⁄11⁄2012, DJe 23⁄11⁄2012) ------------------------------------------   CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. POUPANÇA. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DO DÉBITO JUDICIAL. LEI N. 6.899⁄81. JUROS REMUNERATÓRIOS CONTRATUAIS. APLICABILIDADE. I. Os juros remuneratórios não são juros legais, mas contratuais, de reconhecida aplicação na caderneta de poupança, e amplamente conferidos pela jurisprudência desta Corte (REsp n. 780.085⁄SP, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 05.12.2005; AgRg no Ag n. 780.65⁄PR, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJU de 28.11.2007). II. Agravo regimental desprovido. (AgRg nos EDcl no REsp 1096155⁄RS, Rel. Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR, QUARTA TURMA, julgado em 12⁄05⁄2009, DJe 08⁄06⁄2009) ------------------------------------------   PROCESSUAL CIVIL. LEI N. 11.232, DE 23.12.2005. CUMPRIMENTO DA SENTENÇA. EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA. JUÍZO COMPETENTE. ART. 475-P, INCISO II, E PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. TERMO INICIAL DO PRAZO DE 15 DIAS. INTIMAÇÃO NA PESSOA DO ADVOGADO PELA PUBLICAÇÃO NA IMPRENSA OFICIAL. ART. 475-J DO CPC. MULTA. JUROS COMPENSATÓRIOS. INEXIGIBILIDADE. [...] 4. Os juros compensatórios não são exigíveis ante a inexistência do prévio ajuste e a ausência de fixação na sentença . 5. Recurso especial conhecido e parcialmente provido. (REsp 940.274⁄MS, Rel. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS, Rel. p⁄ Acórdão Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, CORTE ESPECIAL, julgado em 07⁄04⁄2010, DJe 31⁄05⁄2010) ------------------------------------------   Execução de sentença. Diferenças de rendimentos em caderneta de poupança. Juros remuneratórios. Coisa julgada. Precedentes da Corte. 1. Se o título exeqüendo deferiu o pedido inicial quanto à remuneração das cadernetas de poupança e se este alcança apenas as diferenças relativas à correção monetária, não se pode incluir na execução a parte relativa aos juros remuneratórios . 2. Recurso especial conhecido e provido. (REsp 737.209⁄PR, Rel. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, TERCEIRA TURMA, julgado em 15⁄09⁄2005, DJ 20⁄03⁄2006, p. 270) ------------------------------------------   RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS DA POUPANÇA. INCLUSÃO DOS JUROS REMUNERATÓRIOS CONTRATUAIS. OFENSA À COISA JULGADA. CPC, ART. 293. DOUTRINA. RECURSO DESPROVIDO. I - Conforme dispõe o art. 293, CPC, os pedidos devem ser interpretados restritivamente, considerando-se incluídos independentemente de pedido, apenas  os juros legais e não os contratuais. II - Pela sistemática do Código Civil de 1916, eram "juros legais" os moratórios (arts. 1.062 e 1.064) e os compensatórios por força de lei (art. 1.063, primeira parte). III - Constitui inovação que atenta contra a segurança jurídica da coisa julgada,  a inclusão dos juros contratuais da poupança, não postulados na inicial da ação de conhecimento nem concedidos expressamente na sentença transitada em julgado em execução . IV - Distingue-se o pedido implícito, que pode ser incluído na condenação (CPC, art. 293), da condenação implícita, que inexiste e não pode ser reclamada na execução. (REsp 306.353⁄PR, Rel. Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, QUARTA TURMA, julgado em 06⁄03⁄2003, DJ 07⁄04⁄2003, p. 290) ------------------------------------------  

Colho também, no mesmo sentido, as seguintes decisões monocráticas: REsp. n. 1.372.248⁄DF, rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira; AREsp. n. 598.544⁄SP, rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze; REsp. n. 1.451.502⁄DF, rel. Ministro Marco Buzzi.

Com efeito, em se tratando de cumprimento de sentença, o que se mostra relevante é a abrangência do título, salvo naquelas referidas hipóteses em que a própria lei ou a jurisprudência dispensam condenação expressa - como os juros moratórios, mercê do art. 293 do CPC e da Súmula n. 254⁄STF -, circunstância não verificada no caso em exame.

Por outro lado, como se trata de controvérsia em torno do alcance objetivo da coisa julgada, é irrelevante saber se os juros remuneratórios são consectários lógicos da condenação ao pagamento dos expurgos inflacionários, ou mesmo se são inerências do próprio contrato de depósito em poupança.

A jurisprudência da Casa, em linha de princípio, não amplia a coisa julgada com o propósito de permitir a execução de determinadas rubricas não contempladas no título executivo, a despeito de reconhecer sua decorrência lógica do direito principal tutelado na fase de conhecimento.

Veja-se, por exemplo, que na Ação Civil Pública n. 98.0016021-3, ajuizada pela Associação Paranaense de Defesa do Consumidor - Apadeco -, na Justiça do Paraná objetivando o recebimento dos expurgos inflacionários referentes aos meses de junho de 1987 e janeiro de 1989, o STJ não vem permitindo a execução individual de juros remuneratórios não contemplados no título. Por isso que se franqueia a via da ação individual de conhecimento para a busca dos juros remuneratórios a cujo respeito se omitira a ação coletiva.

Confiram-se:

PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. APADECO. POUPADOR. PRETENSÃO A RECEBIMENTO DE JUROS NÃO ABRANGIDOS PELO ACÓRDÃO QUE DECIDIU AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PROPOSITURA DE AÇÃO AUTÔNOMA PELO CONSUMIDOR. POSSIBILIDADE. [...] 2. Na ação civil pública nº 98.0016021-3, ajuizada pela Associação Paranaense de Defesa do Consumidor perante a Justiça do Paraná, objetivando o recebimento, por consumidores, dos expurgos inflacionários relativos aos meses de junho de 1987 e janeiro de 1989, não foram deferidos juros contratuais por todo o período, até a data do efetivo paramento, por ausência de pedido da APADECO. Nessa hipótese, é possível ao consumidor requerer, em ação individual autônoma, o pagamento dessa verba, sem que se possa falar em ofensa à coisa julgada. 3. Recurso Especial conhecido em parte e, nessa parte, improvido. (REsp 1165205⁄PR, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 07⁄12⁄2010, DJe 02⁄02⁄2011) ------------------------------------------   PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. JUROS REMUNERATÓRIOS⁄CONTRATUAIS. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. APADECO. COISA JULGADA. INEXISTÊNCIA. PROVIMENTO. 1. "É possível, em ação ordinária, a cobrança de juros remuneratórios, mensais e capitalizados, por todo o período, sobre os índices creditados a menor nas cadernetas de poupança nos meses de junho⁄87 e janeiro⁄89, pois, quanto àquela verba, inexiste coisa julgada em razão de ação civil pública movida pela Apadeco." (EDcl no REsp 1135181⁄PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUARTA TURMA, julgado em 09⁄08⁄2011, DJe 19⁄08⁄2011) 2. Agravo regimental provido. (AgRg no Ag 1098926⁄PR, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 18⁄04⁄2013, DJe 09⁄05⁄2013) ------------------------------------------   AGRAVO REGIMENTAL - AÇÃO DE COBRANÇA - PLANOS ECONÔMICOS - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL PARA AFASTAR A OCORRÊNCIA DE COISA JULGADA. IRRESIGNAÇÃO DA CASA BANCÁRIA. [...] 2. A Segunda Seção desta Corte consagrou o entendimento de que os juros remuneratórios pedidos na inicial da ação civil pública movida pela APADECO (Associação Paranaense de Defesa do Consumidor) contra a CEF (Caixa Econômica Federal) e estipulados na sentença transitada em julgado incidem apenas nos meses de junho de 1987 e janeiro de 1989, quando ocorreu remuneração a menor das cadernetas de poupança, motivo pelo qual, é possível ao consumidor requerer, em ação individual autônoma, o pagamento dessa verba, sem que se possa falar em ofensa à coisa julgada. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1309253⁄PR, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 18⁄12⁄2012, DJe 14⁄02⁄2013) ------------------------------------------   CIVIL E PROCESSO CIVIL. FUNGIBILIDADE RECURSAL. RECURSO RECEBIDO COMO AGRAVO REGIMENTAL. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS. PRESCRIÇÃO. RESTITUIÇÃO DOS AUTOS À ORIGEM. [...] 2. É possível, em ação ordinária, a cobrança de juros remuneratórios, mensais e capitalizados, por todo o período, sobre os índices creditados a menor nas cadernetas de poupança nos meses de junho⁄87 e janeiro⁄89, pois, quanto àquela verba, inexiste coisa julgada em razão de ação civil pública movida pela Apadeco. [...] (EDcl no REsp 1135181⁄PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUARTA TURMA, julgado em 09⁄08⁄2011, DJe 19⁄08⁄2011) ------------------------------------------  

Exemplo de que a estreita correlação entre uma verba deferida na sentença e outra que poderia ter sido não é razão suficiente para elastecer o alcance objetivo da coisa julgada, é o que se tem verificado na jurisprudência da Casa em relação ao direito a dividendos referentes a ações não subscritas em companhias de telefonia.

Reconhece-se ser "devida indenização a título de dividendos ao adquirente de linha telefônica como decorrência lógica da procedência do pedido de complementação das ações" (REsp 1.034.255⁄RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 28⁄04⁄2010).

Não obstante, em sendo omissa a sentença quanto aos dividendos, descabe buscar sua inclusão na fase de execução, sob pena de ofensa à coisa julgada. Verbis:

AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. BRASIL TELECOM S.A. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. SÚMULA 283⁄STF. PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA 211⁄STJ. DIVIDENDOS. AUSÊNCIA DE CONDENAÇÃO. VALOR PATRIMONIAL DA AÇÃO. COISA JULGADA. EXCESSO DE EXECUÇÃO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7⁄STJ. [...] 4. Os dividendos, não sendo objeto de deliberação no título executivo, devem ser excluídos do cálculo da condenação, por incidência da coisa julgada. [...] (AgRg no AREsp 136.262⁄RS, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 28⁄05⁄2013, DJe 11⁄06⁄2013) ------------------------------------------   AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. BRASIL TELECOM. INSURGÊNCIA DA PARTE AUTORA. COMPLEMENTAÇÃO ACIONÁRIA. IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DIVIDENDOS REFERENTES ÀS AÇÕES DA CRT PARTICIPAÇÕES S⁄A. DETERMINAÇÃO DE PAGAMENTO PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. EXCESSO DE EXECUÇÃO. EXISTÊNCIA. RECURSO MANIFESTAMENTE INFUNDADO E PROCRASTINATÓRIO. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 557, § 2º, CPC. 1. Os valores referentes aos dividendos sobre as ações da CRT Participações S⁄A não podem ser concedidos em sede de cumprimento de sentença sem que conste, no título executivo judicial, conteúdo condenatório alusivo à referida verba. Na hipótese, impõe-se sua exclusão em obediência ao instituto da coisa julgada material. [...] (AgRg nos EDcl no AREsp 106.937⁄RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 04⁄09⁄2012, DJe 10⁄09⁄2012) ------------------------------------------  

O mesmo raciocínio foi outras vezes utilizado para os juros sobre capital próprio referentes a ações não subscritas:

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. INCLUSÃO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. NATUREZA JURÍDICA QUE NÃO SE CONFUNDE COM DIVIDENDOS. EXCESSO DE EXECUÇÃO. OCORRÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO COM APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 557, § 2º, DO CPC. 1. Os juros sobre o capital próprio possuem natureza jurídica distinta à dos dividendos. Precedentes. 2. Não contemplados pelo título exeqüendo, não cabe a inserção dos juros sobre capital próprio em sede de cumprimento de sentença, sob pena de ofensa ao instituto da coisa julgada. [...] (EDcl no REsp 1225676⁄RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 12⁄04⁄2011, DJe 15⁄04⁄2011) ------------------------------------------   AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. EXECUÇÃO.CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. COISA JULGADA. 1. Depende de condenação expressa no título executivo judicial a execução do valor referente aos juros sobre capital próprio decorrentes de ações oriundas de contrato de participação financeira para aquisição de linha telefônica. 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 1160323⁄RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUARTA TURMA, julgado em 15⁄03⁄2011, DJe 21⁄03⁄2011) ------------------------------------------  

Mais recentemente, esse entendimento foi reafirmado no âmbito da Quarta Turma, em precedente específico, referente à ação civil pública cuja sentença ora se executa (n. 1998.01.016798-9, Idec vs. Banco do Brasil, que tramitou na 12ª Vara Cível de Brasília⁄DF):

DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA N. 1998.01.016798-9 DE BRASÍLIA⁄DF. IDEC VS. BANCO DO BRASIL. JUROS REMUNERATÓRIOS. AUSÊNCIA DE CONDENAÇÃO. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA. INCLUSÃO DA VERBA. IMPOSSIBILIDADE. COISA JULGADA. 1. Não tendo havido condenação expressa ao pagamento de juros remuneratórios na ação civil pública n. 1998.01.016798-9 (Idec vs. Banco do Brasil), que tramitou na 12ª Vara Cível de Brasília⁄DF, descabe a inclusão dessa verba na fase de execução individual, sob pena de indevida ampliação do alcance objetivo da coisa julgada. 2. Recurso especial provido. (REsp 1349971⁄DF, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 26⁄08⁄2014, DJe 15⁄09⁄2014) ------------------------------------------  

4.2. Da inclusão de expurgos inflacionários da fase de execução

No ponto agora apreciado, a controvérsia cinge-se em saber se é possível incluir, em sede de execução individual, expurgos relacionados a planos econômicos posteriores ao período objeto da sentença, com a finalidade de atualização do débito judicial, sendo certo que no título só consta condenação aos expurgos referentes ao Plano Verão (janeiro de 1989).

Para o desate da controvérsia, cumpre diferenciar duas situações que parecem se baralhar com relativa frequência: (i) uma é a incidência de expurgos inflacionários resultantes de planos econômicos não previstos na sentença coletiva a valores eventualmente existentes em contas de poupança em momento posterior; (ii) outra é a incidência, no débito judicial resultante da sentença, de expurgos inflacionários decorrentes de planos econômicos posteriores ao período apreciado pela ação coletiva, a título de correção monetária plena da dívida consolidada.

Exemplo da primeira situação: em janeiro de 1989 um poupador detinha determinado valor depositado em poupança e manteve a conta aberta com valores passados e⁄ou futuros até a atualidade. A sentença coletiva reconhece o direito à diferença de correção monetária referente a janeiro de 1989 (Plano Verão) e o correntista busca, na execução da sentença, a incidência de outros expurgos aos valores que foram ou se mantiveram depositados na conta.

Nessa hipótese, a depender do caso concreto, certamente poderá haver ofensa à coisa julgada com inclusão de expurgos - posteriores à sentença -, na fase de execução.

Em relação à segunda situação, tem-se o seguinte exemplo: em janeiro de 1989 um poupador detinha determinado valor depositado em poupança. A sentença coletiva reconhece o direito à diferença de correção monetária referente a janeiro de 1989 (Plano Verão). Sobre esse débito certo e reconhecido (fixado conforme o título), referente ao direito a expurgos inflacionários concretamente decididos na sentença, a parte, na fase de execução, busca a incidência de outros expurgos referentes a planos econômicos posteriores, mas tudo a título de correção monetária do débito reconhecido.

Percebe-se que as bases de cálculo de cada situação são bem distintas: na primeira, a base de cálculo é o saldo dos depósitos existentes à época de cada plano econômico; na segunda, é o saldo existente em conta em janeiro de 1989, que é atualizado na fase de execução, fazendo-se incidir os demais expurgos referentes aos planos econômicos não contemplados na sentença.

Em casos como o dos autos, verifica-se a ocorrência da segunda situação (ii), em que os exequentes buscam, na fase de execução, a correção monetária do débito certo e resultante da sentença coletiva, fazendo incidir em seus cálculos os expurgos inflacionários dos planos econômicos posteriores.

Neste caso, o propósito subjacente é a mera recomposição da moeda, mediante incidência de correção monetária plena.

 

De fato, no ponto é de longa data a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que a correção monetária não consubstancia acréscimo material ao débito principal, mas mera recomposição do valor real em face da corrosão inflacionária de determinado período.

Por essa ótica, havendo um montante fixo já definido na sentença - dependente apenas de mero cálculo aritmético -, a inclusão, na fase de execução individual, de correção monetária não contemplada na sentença não hostiliza a coisa julgada. Antes, a protege, pois só assim o título permanece hígido com a passagem do tempo em um cenário econômico no qual a inflação não é nula.

Vejam-se, nesse sentido, os seguintes precedentes do Supremo:

RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. INCLUSÃO. OFENSA À COISA JULGADA. INEXISTÊNCIA. Correção monetária. Legítima a atualização do valor devido, embora a correção monetária não tenha sido pedida na inicial, nem estipulada na sentença. Violação à coisa julgada. Inexistência . Precedentes. Recurso extraordinário não conhecido. (RE 220605, Relator(a):  Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p⁄ Acórdão:  Min. MAURÍCIO CORRÊA, Segunda Turma, julgado em 28⁄06⁄2001) -------------------------------------------------   AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PREVIDENCIÁRIO. BENEFÍCIO CONCEDIDO APÓS A PROMULGAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO DE 1988. SALÁRIO-MÍNIMO COMO FATOR DE REAJUSTE DAS PRESTAÇÕES EM ATRASO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Aposentadoria por invalidez deferida na forma do artigo 44 da Lei 8.213⁄91, a partir de 04.08.1994. Atualização monetária das prestações em atraso. Não configura ofensa à coisa julgada a inclusão, na liquidação de sentença, da correção monetária dos valores devidos . Precedente. [...] (RE 290082 AgR, Relator(a):  Min. MAURÍCIO CORRÊA, Segunda Turma, julgado em 13⁄11⁄2001, DJ 01-03-2002(. -------------------------------------------------  

Com efeito, se para a manutenção da coisa julgada há de proceder à correção monetária plena do débito reconhecido, os expurgos inflacionários do período de inadimplemento devem compor o cálculo, estejam ou não contemplados na sentença exequenda.

Nessa linha são os seguintes precedentes desta Casa:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO. POUPANÇA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. CORREÇÃO MONETÁRIA DO DÉBITO JUDICIAL APURADO. CRITÉRIOS NÃO DEFINIDOS NO TÍTULO JUDICIAL. INCIDÊNCIA DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS DO IPC NA CONTA DE LIQUIDAÇÃO. AUSÊNCIA DE OFENSA À COISA JULGADA. VIOLAÇÃO DO ART. 1º DA LEI N. 6.899⁄81. QUESTÃO DEBATIDA. PREQUESTIONAMENTO. 1. Legítima a incidência dos índices de inflação expurgados em 1990 e 1991 a título de correção monetária plena, silente o título judicial a respeito, sobre o valor da condenação, cuja base de cálculo é o saldo mantido nas contas de poupança na época do expurgo reclamado na inicial, em fevereiro de 1989 - não incidindo sobre valores depositados em data posterior . Tendo a questão federal versada no recurso especial sido expressamente enfrentada pelo acórdão recorrido, satisfeito está o requisito do prequestionamento (Súmulas 282 e 356 do STF). 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 219.161⁄DF, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 14⁄05⁄2013, DJe 29⁄05⁄2013) -------------------------------------------------   AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CADERNETA DE POUPANÇA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. EXECUÇÃO E LIQUIDAÇÃO INDIVIDUAL. FORO COMPETENTE. ALCANCE OBJETIVO E SUBJETIVO DOS EFEITOS DA SENTENÇA COLETIVA. DEMONSTRAÇÃO DE VÍNCULO ASSOCIATIVO. DESNECESSIDADE. ÍNDICE DOS EXPURGOS. INCLUSÃO EM LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. POSSIBILIDADE. FUNDAMENTOS DO NOVO RECURSO INSUFICIENTES PARA REFORMAR A DECISÃO AGRAVADA. [...] 5. " A inclusão dos índices dos expurgos inflacionários na correção monetária do cálculo de liquidação de sentença não implica julgamento extra petita nem viola a coisa julgada . - Agravo não provido". [...] (AgRg no REsp 1240114⁄SC, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 11⁄03⁄2014, DJe 18⁄03⁄2014) -------------------------------------------------   AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CADERNETA DE POUPANÇA. PLANOS BRESSER E VERÃO. DIFERENÇAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. ÍNDICES NÃO FIXADOS NA SENTENÇA. COISA JULGADA. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. IPC. INCIDÊNCIA. 1. Não tendo sido fixados, na sentença, os índices de atualização monetária , inexiste coisa julgada , de modo que é cabível sua aplicação, em sede de liquidação de sentença , para garantir a manutenção dos valores efetivamente devidos. 2. O IPC é o índice adequado para a atualização monetária dos débitos judiciais decorrentes de diferenças de correção em saldo de poupança. 3. Agravo regimental provido. (AgRg no REsp 1096103⁄PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUARTA TURMA, julgado em 22⁄06⁄2010, DJe 01⁄07⁄2010) -------------------------------------------------     AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO - NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL - OMISSÃO - NÃO-OCORRÊNCIA - AÇÃO DE COBRANÇA - CORREÇÃO MONETÁRIA - CADERNETA DE POUPANÇA - LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA - INCLUSÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS, INDEPENDENTEMENTE DE DISCUSSÃO NO PROCESSO DE CONHECIMENTO - POSSIBILIDADE - PRECEDENTES - MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA - AGRAVO IMPROVIDO. (AgRg no Ag 766.487⁄SP, Rel. Ministro MASSAMI UYEDA, TERCEIRA TURMA, julgado em 14⁄04⁄2009, DJe 29⁄04⁄2009) -------------------------------------------------   PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCLUSÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. - A inclusão dos índices  dos expurgos inflacionários na correção monetária do cálculo de liquidação de sentença não implica julgamento extra petita nem viola a coisa julgada . - Agravo não provido. (AgRg nos EDcl no AREsp 79.244⁄RJ, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 04⁄12⁄2012, DJe 07⁄12⁄2012) -------------------------------------------------   AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. EMBARGOS À EXECUÇÃO. DÍVIDA JUDICIAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCLUSÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. POSSIBILIDADE. COISA JULGADA. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. RECURSO DESPROVIDO. 1 "Esta c. Corte já firmou o entendimento segundo o qual a inclusão dos expurgos inflacionários nos cálculos de liquidação de sentença não ofende a coisa julgada , nem se caracteriza como excesso de execução, mas visa tão-somente manter o valor real da dívida" (AgRg no Ag 1.227.995⁄RJ, Rel. Min. FELIX FISCHER, DJe 12.04.2010). 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 751.461⁄PR, Rel. Ministro VASCO DELLA GIUSTINA (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ⁄RS), TERCEIRA TURMA, julgado em 26⁄04⁄2011, DJe 11⁄05⁄2011) -------------------------------------------------   PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. INSTRUMENTO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCLUSÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. POSSIBILIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. ]...] 2. Nos termos da remansosa jurisprudência desta eg. Corte de Justiça, "a correção monetária plena é mecanismo mediante o qual empreende-se a recomposição da efetiva desvalorização da moeda, com o escopo de se preservar o poder aquisitivo original, sendo certo que independe de pedido expresso da parte interessada, não constituindo um plus que se acrescenta ao crédito, mas um minus que se evita." (EDcl no AgRg nos EREsp 517.209⁄PB, 1ª Seção, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe de 15⁄12⁄2008). 3. Conforme precedentes deste Tribunal, a inclusão dos expurgos inflacionários, como medida de recomposição da moeda, é decorrência direta da correção monetária, porquanto aqueles "se configuram como valores extirpados do cálculo da inflação, quando da apuração do índice real que corrigiria preços, títulos públicos, tributos e salários, entre outros ." (EREsp 81.583⁄DF, 3ª Seção, Rel. Min. JORGE SCARTEZZINI, DJ de 17.2.2003). [...] (REsp 900.791⁄RJ, Rel. Ministro FERNANDO GONÇALVES, Rel. p⁄ Acórdão Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 15⁄03⁄2011, DJe 02⁄05⁄2011) -------------------------------------------------   PROCESSUAL CIVIL. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS EXCLUÍDOS NO ACÓRDÃO HOSTILIZADO. AUSÊNCIA DE PEDIDO NA APELAÇÃO. PRINCÍPIO DO TANTUM DEVOLUTUM QUANTUM APELLATUM. JULGAMENTO EXTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. ALÍNEA "C". NÃO-DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. 1. O Tribunal de origem deu parcial provimento à Apelação interposta pelo INSS - fundada nas alegações de que houve excesso de execução e de que o crédito havia sido integralmente quitado - para determinar o afastamento dos expurgos inflacionários do Plano Real (julho e agosto de 1994). 2. Improcedente a tese de que a ausência de discriminação da matéria referente aos expurgos inflacionários excluídos impede seu exame pelo Tribunal a quo, tendo em vista que: a) o cerne da questão controvertida é exatamente a incidência dos expurgos inflacionários dos Planos Bresser, Verão, Collor e Real (aplicação do art. 515, § 1º, do CPC); b) conforme mencionado pela Corte local, é pressuposto da verificação da suficiência da quitação a análise completa dos expurgos inflacionários que poderiam ou não incidir na correção monetária do débito reconhecido judicialmente . 3. Ademais, o STJ possui precedentes no sentido de que os expurgos inflacionários não estão sujeitos aos princípios ou regras da preclusão, da coisa julgada, da non reformatio in pejus e do julgamento extra e ultra petita . [...] (REsp 550.063⁄PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 13⁄04⁄2010, DJe 23⁄04⁄2010) -------------------------------------------------   PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PREQUESTIONAMENTO. REEXAME DE MÉRITO. [...] 4. Admite-se a inclusão dos expurgos inflacionários nos cálculos da correção monetária em conta de liquidação de sentença, o que não implicaria malferimento aos institutos da preclusão, da coisa julgada, da non reformatio in pejus ou julgamento extra e ultra petita , mesmo nas hipóteses em que tal questão não tenha sido discutida na fase do processo de cognição ou quando a sentença exequenda não tenha fixado critério específico de atualização ou, ainda, quando não vedada expressamente a sua inclusão. Precedentes. [...] (EDcl no REsp. 1004556⁄SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 05⁄05⁄2009, DJe 15⁄05⁄2009) -------------------------------------------------   EXECUÇÃO DE SENTENÇA. CÁLCULOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. INCLUSÃO. COISA JULGADA. INEXISTÊNCIA. Se, no processo de conhecimento, não houve discussão acerca do cômputo ou não dos expurgos inflacionários na correção monetária determinada, a inserção deles na conta de liquidação da sentença não fere a coisa julgada . Recurso especial conhecido e provido. (REsp 475.081⁄RS, Rel. Ministro CESAR ASFOR ROCHA, QUARTA TURMA, julgado em 10⁄12⁄2002, DJ 30⁄06⁄2003, p. 261) -------------------------------------------------

Apenas a título de registro, de relatoria do em. Ministro João Otávio de Noronha, dentre muitos outros, colho os seguintes precedentes, da época em que o ilustre colega integrava a Seção de Direito Público:

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. COISA JULGADA. NÃO-OCORRÊNCIA. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCLUSÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. POSSIBILIDADE. ÍNDICES APLICÁVEIS. PRECEDENTES. HONORÁRIOS DE ADVOGADO. SÚMULA N. 7⁄STJ. 1. Consolidou-se a jurisprudência no Superior Tribunal de Justiça no sentido de que não constitui ofensa aos institutos da coisa julgada e da preclusão a inclusão dos expurgos inflacionários no cálculo da correção monetária, em conta de liquidação de sentença, ainda que essa questão não tenha sido debatida no processo de conhecimento . 2. Os índices de correção monetária aplicáveis na restituição de indébito tributário são: o IPC, no período de janeiro⁄89 a janeiro⁄91; e o INPC, de fevereiro⁄91 a dezembro⁄91. 3. O recurso especial não é sede própria para rever questão referente à fixação de honorários advocatícios se, para tanto, faz-se necessário reexaminar os elementos fático considerados no feito. Inteligência da Súmula n. 7⁄STJ. 4. Recurso especial conhecido em parte e provido parcialmente. (REsp 917.063⁄SP, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 21⁄08⁄2007, DJ 14⁄09⁄2007, p. 346) -------------------------------------------------   PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. DESAPROPRIAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. JUROS COMPENSATÓRIOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO À COISA JULGADA. 1. Afasta-se a alegada ofensa ao art. 535, II, do CPC quando as questões suscitadas ao longo da controvérsia foram, de forma motivada, apreciadas na apelação e nos subseqüentes embargos declaratórios. 2. A inclusão dos expurgos inflacionários no cálculo da correção monetária, em conta de liquidação de sentença, não implica ofensa aos institutos da coisa julgada e da preclusão, ainda que essa questão não tenha sido debatida no processo de conhecimento . 3. Recurso improvido. (REsp 547.724⁄PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 10⁄04⁄2007, DJ 25⁄04⁄2007, p. 300) -------------------------------------------------   PROCESSO CIVIL. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO SOBRE AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECRETO-LEI Nº 2.288⁄86. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS . POSSIBILIDADE. 1. A inclusão de índices no cálculo da correção monetária, em conta de liquidação de sentença, não implica ofensa aos institutos da coisa julgada e da preclusão, ainda que essa questão não tenha sido debatida no processo de conhecimento . 2. Recurso especial improvido. (REsp 515.572⁄RN, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 14⁄11⁄2006, DJ 19⁄12⁄2006, p. 363) -------------------------------------------------  

Mais recentemente, a Quarta Turma também sufragou esse entendimento em precedente específico:

DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA N. 1998.01.016798-9 DE BRASÍLIA⁄DF. IDEC VS. BANCO DO BRASIL. PLANO VERÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. PLANOS ECONÔMICOS POSTERIORES. INCLUSÃO EM EXECUÇÃO INDIVIDUAL. POSSIBILIDADE. OFENSA À COISA JULGADA. NÃO OCORRÊNCIA. CORREÇÃO MONETÁRIA PLENA. 1. Na ação civil pública n. 1998.01.016798-9, que tramitou na 12ª Vara Cível de Brasília⁄DF, tendo o Banco do Brasil S.A. sido condenado a pagar os expurgos inflacionários do Plano Verão (janeiro de 1989), é cabível, na fase de execução individual, a inclusão dos expurgos posteriores a título de correção monetária plena , que têm como base de cálculo o saldo existente ao tempo do referido plano econômico. Precedentes. 2. Recurso especial provido. (REsp 1322543⁄DF, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 26⁄08⁄2014, DJe 16⁄09⁄2014) -------------------------------------------------    

5. Portanto, com base na sólida e tranquila jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, para efeitos do art. 543-C do CPC, encaminho o seguinte entendimento:

Na execução individual de sentença proferida em ação civil pública que reconhece o direito de poupadores aos expurgos inflacionários decorrentes do Plano Verão (janeiro de 1989): (I) descabe a inclusão de juros remuneratórios nos cálculos de liquidação se inexistir condenação expressa, sem prejuízo de, quando cabível, o interessado ajuizar ação individual de conhecimento; (II) incidem os expurgos inflacionários posteriores a título de correção monetária plena do débito judicial, que terá como base de cálculo o saldo existente ao tempo do referido plano econômico, e não os valores de eventuais depósitos da época de cada plano subsequente.

6. Diante do exposto, preliminarmente, acolho em parte o pleito formulado pelo Bacen, tão somente para deferir seu ingresso como assistente (art. 5º, parágrafo único, da Lei n. 9.469⁄1997), e dou parcial provimento ao recurso especial, apenas para permitir a incidência de expurgos inflacionários na conta de liquidação, a título de correção monetária plena, mantido quanto ao mais o acórdão recorrido.

É como voto.


Documento: 42772835 RELATÓRIO, EMENTA E VOTO
Disponível em: https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/186367488/recurso-especial-resp-1392245-df-2013-0243372-9/relatorio-e-voto-186367513

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