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28 de Junho de 2022
  • 2º Grau
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Superior Tribunal de Justiça
há 6 anos

Detalhes da Jurisprudência

Órgão Julgador

T2 - SEGUNDA TURMA

Publicação

DJe 02/02/2017

Julgamento

13 de Dezembro de 2016

Relator

Ministro HERMAN BENJAMIN

Documentos anexos

Inteiro TeorSTJ_RESP_1637856_05ace.pdf
Certidão de JulgamentoSTJ_RESP_1637856_4b7b9.pdf
Relatório e VotoSTJ_RESP_1637856_69657.pdf
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Relatório e Voto

Superior Tribunal de Justiça
Revista Eletrônica de Jurisprudência
    Súmula - Não cabe agravo regimental contra decisão do relator que concede ou indefere liminar em mandado de segurança RECURSO ESPECIAL Nº 1.637.856 - MG (2013⁄0272945-2) RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN RECORRENTE : CLÁUDIO HENRIQUE DE MATOS ADVOGADO : MARCELO PEREIRA ASSUNÇÃO E OUTRO(S) - MG062188 RECORRIDO : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL ADVOGADO : PROCURADORIA-GERAL FEDERAL - PGF  - PR000000F   RELATÓRIO   O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Trata-se de Recurso Especial interposto, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição da República, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais assim ementado:    EMENTA: Ação de revisão de benefício previdenciário - Interesse de agir - Decadência - Lei 9.711⁄98 - Prazo qüinqüenal.- O direito de ação não pode ser condicionado ao prévio requerimento administrativo de revisão do benefício. A falta de pedido administrativo não implica falta de interesse de agir.- Se quando da concessão do benefício, cuja renda mensal inicial se pretende a revisão, a lei previdenciária já previa prazo decadencial, este deve ser observado.- Tendo a ação revisional sido proposta após o implemento do prazo decadencial não há que se falar em análise do pedido, devendo o feito ser extinto, com fundamento no art. 269, IV, do C.P.C.     A parte recorrente afirma que houve ofensa aos arts. 103 da Lei 9.528⁄97, uma vez que seu direito de revisão do seu benefício não decaiu. Após ação trabalhista, tendo sido reconhecido o cumprimento de horas extras habituais, nasceu o direito à alteração no valor de sua aposentadoria. Aduz, em suma, estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade do recurso. Contrarrazões às fls. 123-127, e-STJ. É o relatório.        RECURSO ESPECIAL Nº 1.637.856 - MG (2013⁄0272945-2)   VOTO   O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Os autos foram recebidos neste Gabinete em 11.11.2016. A irresignação merece prosperar. O STJ entende que, a despeito de decorridos mais de dez anos entre a data em que entrou em vigor a Medida Provisória 1.523-9 e o ajuizamento da ação, a recorrida teve suas verbas salariais majoradas em decorrência de ação trabalhista, o que ensejou acréscimos no seu salário de contribuição, momento no qual se iniciou novo prazo decadencial para pleitear a revisão da renda mensal do seu benefício. Nesse sentido (grifei):     PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. DECADÊNCIA PARA O SEGURADO REVISAR BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. FALTA DE INTERESSE EM RECORRER. PARCELAS REMUNERATÓRIAS RECONHECIDAS PERANTE A JUSTIÇA DO TRABALHO. TERMO INICIAL PARA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 103 CAPUT DA LEI 8.213⁄1991. TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA TRABALHISTA. ENTENDIMENTO QUE VEM SE FIRMANDO NO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSO ESPECIAL DO INSS CONHECIDO EM PARTE E NESSA PARTE NÃO PROVIDO. 1. Acerca da aplicação do prazo decadencial para o segurado revisar seu benefício, a tese foi analisada pela Primeira Seção do Superior Tribunal Justiça, no julgamento dos Recursos Especiais 1.309.529⁄PR, DJe de 4⁄6⁄2013 e 1.326.114⁄SC, DJe de 13⁄5⁄2013, ambos submetidos ao rito do recurso especial repetitivo, de Relatoria do Ministro Herman Benjamin. 2. No julgamento dos representativos da controvérsia, o STJ assentou que incide o prazo decadencial do art. 103 caput da Lei 8.213⁄1991, instituído pela Medida Provisória 1.523-9⁄1997, convertida na Lei 9.528⁄1997, também aos benefícios concedidos anteriormente a esse preceito normativo. 3. Há dois termos iniciais para contagem do prazo decadencial previsto no caput do art. 103 da Lei 8.213⁄1991: o primeiro a contar do dia primeiro do mês seguinte ao do recebimento da primeira prestação, o segundo, quando for o caso de requerimento administrativo, do dia em que tomar conhecimento da decisão indeferitória definitiva no âmbito administrativo. 4 . Na hipótese de existir reclamação trabalhista em que se reconhece parcelas remuneratórias, como a do presente caso, o STJ vem sedimentando entendimento no sentido de que o prazo de decadência do direito à revisão do ato de concessão do benefício flui a partir do trânsito da sentença trabalhista. 5. Recurso especial do INSS conhecido em parte e nessa parte não provido. (REsp 1440868⁄RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 02⁄05⁄2014).     PREVIDÊNCIA SOCIAL. TRÂNSITO EM JULGADO DE SENTENÇA TRABALHISTA, POSTERIOR AO DEFERIMENTO DO BENEFÍCIO, REPERCUTINDO NA BASE DE CÁLCULO DESTE. Hipótese em que o prazo de decadência do direito à revisão do ato de concessão do benefício flui a partir do trânsito da sentença trabalhista. Recurso especial conhecido, mas desprovido. (REsp 1.309.086⁄SC, Primeira Turma, Relator Ministro Ary Pargendler, DJe 10⁄9⁄2013).       Por fim, o termo inicial dos efeitos financeiros da revisão deve retroagir à data da concessão do benefício, uma vez que o deferimento da ação revisional representa o reconhecimento tardio de direito já incorporado ao patrimônio jurídico do segurado, não obstante a comprovação posterior do salário de contribuição. A propósito:   PROCESSO   CIVIL.   PREVIDENCIÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO ESPECIAL. REVISÃO DE BENEFÍCIO. VALORES RECONHECIDOS EM RECLAMATÓRIA TRABALHISTA.  TERMO  INICIAL  PARA  CONTAGEM  DO  PRAZO  DECADENCIAL PREVISTO  NO ART. 103, CAPUT, DA LEI 8.213⁄1991. TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA TRABALHISTA. 1.  A jurisprudência desta Corte é no sentido de que o termo inicial dos  efeitos  financeiros  da  revisão  deve  retroagir  à  data  da concessão do benefício, uma vez que o deferimento da ação revisional representa  o  reconhecimento tardio de um direito já incorporado ao patrimônio   jurídico   do  segurado,  não  obstante  a  comprovação posterior do salário de contribuição. 2.  A  propósito:  AgRg  no  REsp  1.564.852⁄RS, Rel. Ministro Mauro Campbell   Marques,   Segunda   Turma,  julgado  em  3⁄12⁄2015,  DJe 14⁄12⁄2015;  REsp 1.108.342⁄RS, Quinta Turma, Relator Ministro Jorge Mussi,   DJE  3⁄8⁄2009;  REsp  1.553.847⁄SC,  Rel.  Ministro  Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 1º⁄10⁄2015, DJe 2⁄2⁄2016. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1569604⁄SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA,  DJe 22⁄03⁄2016).   PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIO-DOENÇA ACIDENTÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. RENDA MENSAL INICIAL. SALÁRIOS DE CONTRIBUIÇÃO. COMPROVAÇÃO POSTERIOR PELO EMPREGADO. EFEITOS FINANCEIROS DA REVISÃO. DATA DA CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. 1. Hipótese em que a parte autora obteve êxito no pleito de revisão de seu benefício, computando, nos salários de contribuição, verbas deferidas em reclamatória trabalhista. 2. O termo inicial dos efeitos financeiros da revisão deve retroagir à data da concessão do benefício, uma vez que o deferimento da ação revisional representa o reconhecimento tardio de um direito já incorporado ao patrimônio jurídico do segurado, não obstante a comprovação posterior do salário de contribuição. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.467.290⁄SP, REL. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJE 28⁄10⁄2014; RESP 1.108.342⁄RS, Quinta Turma, Relator Ministro Jorge Mussi, DJE 3⁄8⁄2009. 3. Recurso Especial não provido. (REsp 1489348⁄RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 19⁄12⁄2014).   Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial. É como voto .  
Documento: 67210836 RELATÓRIO E VOTO
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