jusbrasil.com.br
30 de Junho de 2022
  • 2º Grau
Entre no Jusbrasil para imprimir o conteúdo do Jusbrasil

Acesse: https://www.jusbrasil.com.br/cadastro

Superior Tribunal de Justiça
há 5 anos

Detalhes da Jurisprudência

Órgão Julgador

T3 - TERCEIRA TURMA

Publicação

DJe 16/05/2017

Julgamento

9 de Maio de 2017

Relator

Ministra NANCY ANDRIGHI

Documentos anexos

Inteiro TeorSTJ_RESP_1547561_a54f6.pdf
Certidão de JulgamentoSTJ_RESP_1547561_7fd6e.pdf
Relatório e VotoSTJ_RESP_1547561_d2661.pdf
Entre no Jusbrasil para imprimir o conteúdo do Jusbrasil

Acesse: https://www.jusbrasil.com.br/cadastro

Relatório e Voto

Superior Tribunal de Justiça
Revista Eletrônica de Jurisprudência
    RECURSO ESPECIAL Nº 1.547.561 - SP (2015⁄0192737-3) RELATORA : MINISTRA NANCY ANDRIGHI RECORRENTE : VALTER DIAS PEREIRA ADVOGADO : ELTON FERNANDES RÉU  - SP185631 RECORRIDO : JOAQUIM INÁCIO BARBOSA - ESPÓLIO ADVOGADO : ROBERTO MIRANDOLA  - SP027829 INTERES.  : DURVAL AVELAR JUNIOR INTERES.  : ROSISLLEY BARBOSA HENRIQUE AVELAR   RELATÓRIO   O EXMO. SR. MINISTRO NANCY ANDRIGHI (RELATOR):   Cuida-se de recurso especial interposto por VALTER DIAS PEREIRA, fundamentado nas alíneas “a” e “c” do permissivo constitucional, contra acórdão do TJ⁄SP. Ação: de despejo por falta de pagamento com cobrança de alugueis e encargos locatícios, ajuizada pelo recorrido em face do recorrente, julgada procedente. Decisão: na fase de cumprimento de sentença, o Juízo de primeiro grau determinou o bloqueio de 10 % (dez por cento) do salário recebido pelo recorrente. Acórdão: o TJ⁄SP negou provimento ao agravo de instrumento interposto pelo recorrente. O acórdão está assim ementado:   Agravo de instrumento. Ação de despejo por falta de pagamento c.c. cobrança de aluguéis e encargos locatícios. Cumprimento de sentença. Alegação de preclusão “pro judicato”. Inocorrência. Fenômeno que alcança somente as partes. Para o juiz, só se opera a preclusão maior, ou seja, a coisa julgada. Bloqueio on line de percentual de 10% dos proventos mensais do agravante. Admissibilidade. Mitigação da impenhorabilidade prevista no art. 649, IV, do CPC, em virtude das peculiaridades do caso concreto. Medida que não compromete a subsistência digna do agravante. Precedente do STJ. Decisão mantida. Recurso não provido.   Recurso especial: alega-se ofensa aos arts. 535, I e II, 649, IV, 183, 471 e 473, todos do CPC⁄73, além de dissídio jurisprudencial. A par da negativa de prestação jurisdicional, sustenta o recorrente que “a cobrança de crédito locatício não se apresenta como exceção à regra” da impenhorabilidade do salário (fl. 119, e-STJ). Afirma, ainda, que “houve verdadeira modificação de decisão já preclusa, sobre a qual já se formou a coisa julgada formal” (fl. 119, e-STJ). Por fim, aponta divergência entre o acórdão recorrido e julgados de outros tribunais, inclusive do STJ, quanto à possibilidade de penhora do salário para o pagamento de verba de natureza não alimentar. Juízo prévio de admissibilidade: o recurso foi admitido pelo Tribunal de origem. É o relatório. RECURSO ESPECIAL Nº 1.547.561 - SP (2015⁄0192737-3) RELATORA : MINISTRA NANCY ANDRIGHI RECORRENTE : VALTER DIAS PEREIRA ADVOGADO : ELTON FERNANDES RÉU  - SP185631 RECORRIDO : JOAQUIM INÁCIO BARBOSA - ESPÓLIO ADVOGADO : ROBERTO MIRANDOLA  - SP027829 INTERES.  : DURVAL AVELAR JUNIOR INTERES.  : ROSISLLEY BARBOSA HENRIQUE AVELAR   VOTO   O EXMO. SR. MINISTRO NANCY ANDRIGHI (RELATOR):   O propósito recursal é decidir sobre: (i) a negativa de prestação jurisdicional; (ii) a ocorrência da preclusão pro judicato ; e (iii) a possibilidade de penhora de 10% (dez por cento) dos rendimentos líquidos do recorrente, para o pagamento de aluguéis e encargos locatícios.   1. Da negativa de prestação jurisdicional (art. 535, I e II, do CPC⁄73) Segundo o recorrente, “restou omissa e contraditória a decisão colegiada quando afasta ocorrência da preclusão, sob o argumento de que para o Juiz não existe preclusão pro judicato ” (fl. 116, e-STJ). No entanto, da leitura do acórdão recorrido, extrai-se que o TJ⁄SP se manifestou expressamente sobre a questão nestes termos:   De fato, inocorrente, na espécie, a alegada preclusão pro judicato , fenômeno que alcança somente as partes. Para o juiz, só se opera a preclusão maior, ou seja, a coisa julgada. A propósito: (...) Assim, no caso concreto, não havia nenhum obstáculo jurídico à reconsideração procedida pela magistrada.   Assim, conquanto contrário à pretensão do recorrente, o acórdão recorrido está clara e suficientemente fundamentado, não havendo falar em omissão ou contradição.   2. Da preclusão pro judicato (arts. 183, 471 e 473, do CPC⁄73) Inicialmente, ressalta-se que o recorrente não demonstrou como o acórdão recorrido violou o art. 183 do CPC⁄73, atraindo, neste ponto, a incidência da Súmula 284⁄STF. No mais, afirma em suas razões que “poucos meses depois da decisão que rejeitou a penhora de salário, sem qualquer modificação da situação das partes ou do comportamento do recorrente, inacreditavelmente, foi proferida nova decisão, contrariando toda a questão já decidida” (fl. 119, e-STJ). A propósito da questão, consta do acórdão recorrido (fls. 87-88, e-STJ):   Os elementos constantes dos autos demonstram que em 27.06.2013, a MM. Juíza determinou o bloqueio on line , via Bacen Jud, do valor indicado pelo credor para satisfação da obrigação (fls. 27⁄28). Por petição datada de 01.07.2013, o agravante alegou a impenhorabilidade do saldo existente em conta de sua titularidade e pleiteou o desbloqueio dos valores constritos, pois provenientes de salário oriundo do cargo de Diretor de Departamento Municipal de Trânsito na Comarca de Ituverava⁄SP (fls. 30⁄31). Em 15.07.2013, o agravado requereu a penhora de 10% dos rendimentos líquidos do agravante (fls. 32⁄33). Por decisão datada de 30.08.2013, a MM. Juíza, com fundamento no art. 649, IV, do CPC, determinou o imediato desbloqueio dos valores constantes da conta de titularidade do agravante (fls. 34⁄35). Então, o agravado reformulou o pedido de penhora on line do percentual de 10% dos rendimentos líquidos do agravante e apresentou cálculo atualizado do débito, tendo sido deferido, culminando com o presente recurso.   Dado esse cenário, constata-se que a reconsideração promovida pelo Juízo de primeiro grau no curso do cumprimento de sentença levou em conta, também, o documento juntado pelo recorrente – cálculo atualizado do débito – depois de exarada a decisão datada de 30.08.2013, em resposta, aliás, à determinação do próprio julgador, verbis (fl. 35, e-STJ):   Sem prejuízo, manifeste o exequente, em cinco dias, requerendo o que entender de direito em termos de prosseguimento do feito.   Daí porque o TJ⁄SP concluiu que, “no caso concreto, não havia nenhum obstáculo jurídico à reconsideração procedida pela magistrada” (fl. 88, e-STJ), tendo em vista, sobretudo, que ela mesma provocou o recorrente (exequente) a se manifestar outra vez. Por oportuno, convém destacar acórdão da 3ª Turma, proferido em julgamento de hipótese semelhante:    PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO. PENHORA. VALORES PROVENIENTES DE SALÁRIO. SÚMULAS N. 7 E 83 DO STJ. PRECLUSÃO PRO JUDICATO. SÚMULA N. 284 DO STF. 1. É inadmissível o recurso especial quando a fundamentação que lhe dá suporte não guarda relação de pertinência com o conteúdo do acórdão recorrido. 2. A regra geral da impenhorabilidade inscrita no art. 649, IV, do CPC pode ser mitigada, em nome dos princípios da efetividade e da razoabilidade, nos casos em que ficar demonstrado que a penhora não afeta a dignidade do devedor. Precedentes. 3. Não se conhece do recurso especial se o exame da suposta contrariedade do julgado a dispositivos de lei estiver condicionado à (re)avaliação de premissa fático-probatória já definida no âmbito das instâncias ordinárias. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 1473848⁄MS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, TERCEIRA TURMA, julgado em 22⁄09⁄2015, DJe 25⁄09⁄2015)   Na ocasião, ressaltou o Ministro João Otávio de Noronha em seu voto:   De qualquer modo, pontuo, em caráter meramente incidental (obiter dictum), que preclusão pro judicato, nos moldes em que é sugerida no recurso especial, não se coaduna com a fase de execução propriamente dita (hipótese dos autos), em que o Estado-Juiz, substituindo a atividade do executado, invade seu patrimônio a fim de realizar, mediante força, direito já reconhecido nos autos . (sem grifos no original)   Por todo o exposto, não se configura, na espécie, a alegada preclusão pro judicato .   3. Da penhorabilidade do salário (art. 649, IV, do CPC⁄73) O TJ⁄SP, flexibilizando a regra do art. 649, IV, do CPC⁄73, manteve a decisão que determinou o bloqueio mensal de 10% dos rendimentos líquidos do recorrente para o pagamento de aluguéis e encargos locatícios ao recorrido. Com efeito, a garantia da impenhorabilidade constitui-se em uma limitação aos meios executivos que garantem a efetividade da tutela jurisdicional concedida ao credor, fundamentada na necessidade de se preservar o patrimonial indispensável à vida digna do devedor. No entanto, considerando que os valores contrapostos são duas vertentes do princípio da dignidade da pessoa humana – de um lado, o direito ao mínimo existencial; de outro, o direito à satisfação executiva –, a interpretação do art. 649, IV, do CPC⁄73 exige um juízo de ponderação à luz das circunstâncias que se apresentam caso a caso, de modo que, excepcionalmente , possa ser afastada a impenhorabilidade de parte dos vencimentos do devedor para que se confira efetividade à tutela jurisdicional favorável ao credor. Sob essa ótica, a regra da impenhorabilidade pode ser relativizada quando a hipótese concreta dos autos permitir que se bloqueie parte da verba remuneratória, preservando-se o suficiente para garantir a subsistência digna do devedor e de sua família. Aliás, no âmbito do STJ, há julgados nesse sentido: REsp 1.285.970⁄SP, Terceira Turma, julgado em 27⁄05⁄2014, DJe de 08⁄09⁄2014; e REsp 1.356.404⁄DF, Quarta Turma, julgado em 04⁄06⁄2013, DJe de 23⁄08⁄2013. Mais recentemente, no julgamento do REsp 1.514.931⁄DF (DJe 06⁄12⁄2016), esta Turma, em hipótese assemelhada, decidiu que:   A regra geral da impenhorabilidade dos valores depositados na conta bancária em que o executado recebe a sua remuneração, situação abarcada pelo art. 649, IV, do CPC⁄73, pode ser excepcionada quando o montante do bloqueio se revele razoável em relação à remuneração por ele percebida, não afrontando a dignidade ou a subsistência do devedor e de sua família.   Na ocasião, consignou o Min. Paulo de Tarso Sanseverino, no voto condutor do acórdão:   Este excesso que vence o que se pode caracterizar como notadamente alimentar deve, assim, incluir no patrimônio a que se refere o art. 591 do CPC⁄73: "O devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei." Nessa toada, examinando as circunstâncias particulares do recorrente, o Juízo de primeiro grau registrou em sua decisão (fls. 45-52, e-STJ):   In casu , todavia, observa-se que o executado, mesmo devidamente citado, em 21⁄05⁄2007, para pagamento do débito em 15 dias (fls. 320 vº), quedou-se silente até a presente data, demonstrando, assim, não possuir a mínima intenção de satisfazer a presente execução. Também intimado, o coexecutado Valter não prestou contas de seu faturamento, forma de administração e esquema de pagamento, demonstrando, destarte, total descaso com a justiça. (...) A análise do caso concreto conduz à aplicação excepcional da mitigação da impenhorabilidade previsto no artigo 649, IV, mostrando-se razoável a fixação de penhora sobre 10 % dos proventos mensais líquidos do executado.   O TJ⁄SP, por sua vez, concluiu que “ a demanda já se arrasta por dez anos e até o momento o credor não conseguiu a satisfação da dívida ”; que “ não há outra forma de adimplir a dívida que não seja pelos rendimentos de seu [do recorrente] trabalho ”; e que “ a constrição do percentual módico de 10% dos rendimentos líquidos não compromete a subsistência digna do agravante ” (fls. 88-89, e-STJ). Dessarte, não merece reforma o acordão recorrido, considerando-se que para alterar tais conclusões, faz-se necessário o reexame dos fatos e das provas dos autos, o que é vedado pela Súmula 07⁄STJ. Em consequência, fica prejudicada a análise do recurso pela alínea “c” do permissivo constitucional.   Forte nessas razões, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa parte, NEGO-LHE PROVIMENTO, mantendo a penhora sobre 10 % (dez por cento) dos rendimentos líquidos do recorrente, a serem descontados em folha de pagamento.
Documento: 71904380 RELATÓRIO E VOTO
Disponível em: https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/465609853/recurso-especial-resp-1547561-sp-2015-0192737-3/relatorio-e-voto-465609874

Informações relacionadas

Belmiro Araujo, Advogado
Notíciashá 5 anos

[Modelo] Petição geral solicitando mandado de livre penhora e avaliação

Superior Tribunal de Justiça
Jurisprudênciahá 2 anos

Superior Tribunal de Justiça STJ - AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL: AgInt no REsp 1828388 DF 2019/0218719-8

Blog Mariana Gonçalves, Advogado
Artigoshá 3 anos

Meu salário pode ser penhorado para pagar aluguel?

Tribunal de Justiça do Mato Grosso
Jurisprudênciahá 6 meses

Tribunal de Justiça do Mato Grosso TJ-MT: 102XXXX-22.2021.8.11.0000 MT

Tribunal de Justiça do Paraná
Jurisprudênciahá 2 anos

Tribunal de Justiça do Paraná TJ-PR - Incidente de Falsidade: INF 000XXXX-35.2020.8.16.9000 PR 000XXXX-35.2020.8.16.9000 (Acórdão)