jusbrasil.com.br
29 de Junho de 2022
  • 2º Grau
Entre no Jusbrasil para imprimir o conteúdo do Jusbrasil

Acesse: https://www.jusbrasil.com.br/cadastro

Superior Tribunal de Justiça
há 5 anos

Detalhes da Jurisprudência

Órgão Julgador

S2 - SEGUNDA SEÇÃO

Publicação

DJe 19/10/2017

Julgamento

9 de Agosto de 2017

Relator

Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA

Documentos anexos

Inteiro TeorSTJ_AGINT-ERESP_1539725_4d7c0.pdf
Certidão de JulgamentoSTJ_AGINT-ERESP_1539725_b9234.pdf
Relatório e VotoSTJ_AGINT-ERESP_1539725_47c71.pdf
Entre no Jusbrasil para imprimir o conteúdo do Jusbrasil

Acesse: https://www.jusbrasil.com.br/cadastro

Relatório e Voto

Superior Tribunal de Justiça
Revista Eletrônica de Jurisprudência
    Súmula - Não cabe agravo regimental contra decisão do relator que concede ou indefere liminar em mandado de segurança AgInt nos EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RESP    Nº 1.539.725 - DF (2015⁄0150082-1)   RELATOR : MINISTRO ANTONIO CARLOS FERREIRA AGRAVANTE : ESCRITÓRIO CENTRAL DE ARRECADAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO  ECAD ADVOGADO : VIVIANE BECKER AMARAL NUNES E OUTRO(S) - DF011437 ADVOGADA : KARINA HELENA CALLAI E OUTRO(S) - DF011620 ADVOGADA : ROSÂNGELA MARIA OLIVEIRA LOIOLA E OUTRO(S) - DF026550 AGRAVADO  : DISTRITO FEDERAL PROCURADORES : MARCIA GUASTI ALMEIDA  - DF012523   DINA OLIVEIRA DE CASTRO ALVES E OUTRO(S) - DF017343   RELATÓRIO   O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO CARLOS FERREIRA: Trata-se de agravo interno (e-STJ fls. 1.050⁄1.061), interposto contra decisão desta relatoria que indeferiu liminarmente os embargos de divergência, com fundamento no art. 266, § 3º, do RISTJ, em razão da ausência de similitude entre o acórdão embargado e o paradigma, além da consonância daquele julgado com a jurisprudência de ambas as turmas componentes da Segunda Seção. O agravante reitera as alegações dos embargos de divergência e afirma que houve divergência, pois teria demonstrado "de forma analógica a identidade de teses em confronto e discrepância de resultados" (e-STJ fl. 1.055). Argumenta ainda que "não há que se falar que o acórdão recorrido encontra amparo na orientação jurisprudencial desta Corte, pois a jurisprudência da E. Quarta Turma pacificou o entendimento que é de 10 (dez) anos o prazo de prescrição para o ECAD cobrar os direitos autorais relativos à execução pública musical" (e-STJ fl. 1.055). Ao final, pleiteia a reconsideração da decisão monocrática, ou sua apreciação pelo Colegiado. A parte agravada apresentou impugnação ao regimental às fls. 1.443⁄1.450 (e-STJ). É o relatório. AgInt nos EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RESP    Nº 1.539.725 - DF (2015⁄0150082-1)   RELATOR : MINISTRO ANTONIO CARLOS FERREIRA AGRAVANTE : ESCRITÓRIO CENTRAL DE ARRECADAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO  ECAD ADVOGADO : VIVIANE BECKER AMARAL NUNES E OUTRO(S) - DF011437 ADVOGADA : KARINA HELENA CALLAI E OUTRO(S) - DF011620 ADVOGADA : ROSÂNGELA MARIA OLIVEIRA LOIOLA E OUTRO(S) - DF026550 AGRAVADO  : DISTRITO FEDERAL PROCURADORES : MARCIA GUASTI ALMEIDA  - DF012523   DINA OLIVEIRA DE CASTRO ALVES E OUTRO(S) - DF017343   VOTO   O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO CARLOS FERREIRA (Relator): O agravante não trouxe nenhum argumento capaz de afastar os termos da decisão agravada, razão pela qual deve ser mantida por seus próprios fundamentos (e-STJ fls. 1.040⁄1.045): Trata-se de embargos de divergência, interpostos contra aresto prolatado pela TERCEIRA TURMA deste Tribunal Superior, assim ementado (e-STJ fl. 995): "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DIREITO AUTORAL. ECAD. VIOLAÇÃO EXTRACONTRATUAL. PRESCRIÇÃO TRIENAL. ART. 206, § 3º, V, DO CÓDIGO CIVIL. 1. Em se tratando de violação extracontratual de direitos do autor, aplica-se o disposto no art. 206, § 3 o , V, do Código Civil de 2002, segundo o qual prescreve em 3 (três) anos a pretensão de reparação civil, observadas as regras de transição previstas no art. 2.028 do mesmo diploma legal. 2. Agravo interno não provido."   O embargante defende que o acórdão recorrido contrariou julgado da Quarta Turma do STJ com a seguinte ementa (e-STJ fls. 1.006⁄1.007): "RECURSO ESPECIAL - DIREITOS AUTORAIS -  EXECUÇÃO DE SENTENÇA PROFERIDA EM AÇÃO DE INTERDITO PROIBITÓRIO, JULGADA PROCEDENTE, NA QUAL SE PLEITEAVA O IMPEDIMENTO DE REPRODUÇÕES MUSICAIS IRREGULARES E O RESSARCIMENTO DE PERDAS E DANOS. DESARQUIVAMENTO DOS AUTOS - EXECUÇÃO DA MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA DECISÃO JUDICIAL - PRESCRIÇÃO - AÇÃO FUNDADA EM DIREITO PESSOAL - INCIDÊNCIA DO PRAZO PRESCRICIONAL PREVISTO NA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DA DESOBEDIÊNCIA DA DECISÃO  JUDICIAL. INSURGÊNCIA DO EXECUTADO. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. Hipótese: Controvérsia acerca do prazo prescricional aplicável para a execução de  multa pelo descumprimento de decisão judicial proferida em ação de interdito proibitório, julgada procedente, que visava o impedimento de reproduções musicais  irregulares e o ressarcimento de perdas e danos. Pretensão de cobrança que abrange o período de julho de 1993 a novembro de 2006. 1. No tocante à cobrança de multa pela transgressão dos direitos autorais, cuja  desobediência da decisão judicial se deu no período entre  julho⁄1993 até  19⁄06⁄1998,  deve ser aplicado o disposto no artigo 131 da Lei n. 5.988⁄73 - legislação em vigor à época - in verbis : 'Prescreve em cinco anos a ação civil por ofensa a direitos patrimoniais  do autor ou conexos, contado o prazo da data em que se deu a violação'. 1.1. Considerando que o desarquivamento dos autos e o prosseguimento da execução ocorreu somente em 29⁄03⁄2007, evidencia-se a ocorrência da   prescrição  do  direito  de  cobrança da multa referente ao descumprimento da obrigação no período compreendido entre julho⁄1993 e 19⁄06⁄1998. 2. O Código Civil de 2002 não trouxe previsão específica quanto ao prazo  prescricional  incidente  em  caso de violação de direitos do autor, sendo de se aplicar o prazo de 10 anos (artigo 205). 2.1. Nesse ponto, se pela regra de transição (art. 2028, CC⁄2002) há de  ser  aplicado  o  novo  prazo  de prescrição, o marco inicial de contagem é o dia 11⁄01⁄2003, data de entrada em vigor do novo Código e não a data do fato gerador do direito. 2.2. In casu , levando-se em conta o marco inicial da contagem do prazo  (11⁄01⁄2003) e o prazo decenal  do artigo 205 do CC⁄2002, aplicável  ao  caso, infere-se que a data limite para o exercício do direito  de cobrança seria 11⁄01⁄2013 e o prosseguimento da execução se  deu  em 29⁄03⁄2007, afastando-se, assim, a alegada prescrição no tocante  à  cobrança  da multa relativa ao período de 20⁄06⁄1998 até novembro⁄2006. 3. Recurso especial parcialmente provido." (REsp 1.211.949⁄RS, Relator Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 3⁄5⁄2016, DJe 13⁄5⁄2016.)   O recorrente ajuizou ação de cobrança de indenização por violação de direitos autorais decorrentes de execução de obras musicais em evento festivo. A sentença julgou parcialmente procedente o pedido (e-STJ fls. 797⁄798). O TJDFT deu provimento parcial à apelação do embargante, bem como ao reexame necessário, em julgado assim ementado (e-STJ fl. 856): "CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO COMINATÓRIA C⁄C PEDIDO DE COBRANÇA DE VALORES. ECAD. DIREITOS AUTORAIS. PRELIMINARES DE NULIDADE E DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. REJEIÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. PREJUDICIAL AFASTADA.'FESTA DO MORANGO'. EVENTO PÚBLICO PATROCINADO PELO DISTRITO FEDERAL. RETRIBUIÇÃO DEVIDA. MULTA MORATÓRIA. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ. VALORES COBRADOS. 10% DO ORÇAMENTO TOTAL DO EVENTO. POSSIBILIDADE. JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. EVENTO DANOSO. PATAMAR. OBSERVÂNCIA, POR ORA, DO ART. 1º-F DA LEI N. 9.494⁄97, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.960⁄09. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. MONTANTE RAZOÁVEL. RECURSO DE APELAÇÃO E REEXAME NECESSÁRIO, EM PARTE, PROVIDOS. 1. Existindo pedido expresso para a imposição da tutela específica prevista no art. 105 da Lei de Direitos Autorais em conjunto com o art. 461 do CPC, visando à suspensão ou à interrupção de qualquer execução⁄radiofusão de obras musicais, lítero-musicais e fonogramas com relação ao evento 'Festa do Morango', enquanto não providenciada a prévia autorização do ECAD, bem como em relação aos eventos futuros (CPC, art. 290), não há falar em violação ao princípio da congruência. 1.1.Para fins de imposição de multa diária, como meio de garantir o cumprimento da obrigação de não fazer, não está o magistrado vinculado ao patamar indicado pela parte (CPC, art. 461, § 6º). 1.2.O termo inicial de incidência dos juros de mora, como consectário da condenação, constitui matéria de ordem pública, a qual permite o conhecimento e a sua fixação de ofício pelo julgador, sem que isso configure julgamento extra ou ultra petita. 1.3.Estando a sentença em simetria com os pedidos formulados na petição inicial (CPC, arts. 2º, 128, 293 e 460), rejeita-se a preliminar de nulidade da decisão, por julgamento extra e ultra petita. 2. A legitimação para a causa deve ser analisada com base nas afirmações feitas na petição inicial (teoria da asserção), cuja necessidade de um exame mais acurado deve ser realizada com o próprio mérito da ação. Preliminar de ilegitimidade passiva rejeitada. 3.A pretensão fundada em relação de direito pessoal, referente à cobrança pela exploração não autorizada de direitos autorais, à míngua de previsão específica, submete-se ao prazo prescricional de 10 (dez) anos estabelecido no art. 205 do CC. Precedentes. Prejudicial de mérito afastada. 4.Os direitos autorais são expressamente protegidos pela Constituição Federal, em seu art. 5º, XXVIII, como conjunto de prerrogativas conferidas à pessoa física ou jurídica criadora da obra intelectual, para que ela possa gozar dos benefícios morais e patrimoniais resultantes da exploração de suas criações. 5.O art. 68 da Lei de Direitos Autorais (n. 9.610⁄98) disciplina que, previamente à realização da execução pública, a sociedade empresarial deve apresentar ao ECAD a comprovação dos recolhimentos relativos a direitos autorais. Em caso de violação de direitos autorais nos espetáculos e audições públicas, prevê o art. 110 da Lei n. 9.610⁄98 a responsabilização solidária dos proprietários, diretores, gerentes, empresários e arrendatários com os organizadores dos espetáculos. 6.A Lei n. 9.610⁄98 prevê o pagamento de direitos autorais para qualquer usuário de música, inexistindo qualquer previsão de isenção do pagamento da retribuição autoral para órgãos públicos da Administração direita e indireta, conforme se infere de seu art. 68, § 3º, ressalvado eventual direito de regresso, sendo utilizado um percentual com base nos custos despendidos para a realização do evento. 7.Sendo o Distrito Federal o responsável pela promoção anual da 'Festa do Morango', com a divulgação pública de obras musicais, lítero-musicais e fonogramas, realizando, inclusive, contratos com sociedades empresárias vencedoras de procedimentos licitatórios, a fim de viabilizar a execução de shows musicais e apresentações de artistas, impõe-se a necessidade de observância da regularidade dos recolhimentos devidos a título de direitos autorais das obras executadas, nos termos da Lei n. 9.610⁄98. 8.Em que pese no projeto básico o Distrito Federal tenha elencado como responsabilidade da empresa contratada para a prestação de serviços de apresentação artística 'o pagamento de despesa com licença referente a direitos autorais: ECAD', tal peculiaridade não é capaz de afastar o dever de retribuição do ente distrital, com base nas normas da Lei de Licitação (n. 8.666⁄93, arts. 70, 71 e 111). Isso porque, a despeito da previsão contratual, cabe à Administração exigir dos contratados o pagamento do direito autoral, necessitando de comprovante nesse sentido, sob pena de responder solidariamente pelo não recolhimento ao ECAD, conforme art. 110 da Lei n. 9.610⁄98 e arts. 264 e 275 do CC. 9.Deixando o Distrito Federal de juntar planilha especificada e pormenorizada capaz de desconstituir os valores dos direitos autorais apresentados na inicial (CPC, art. 333, II), não há falar em irregularidade dos cálculos apresentados pelo ECAD, na monta de 10% do orçamento total do evento, uma vez que norteados pelo Regulamento de Arrecadação, contando, entre outros parâmetros, com critérios como os custos com artistas e músicos, equipamentos de som, montagem de palco, serviços de qualquer natureza e todos os aportes feitos por eventuais patrocinadores, declinados por amostragem nos relatórios de visita realizados por técnicos de arrecadação presentes no evento. 10.Inaplicável a multa estipulada no art. 109 da Lei n. 9.610⁄98, porquanto tal penalidade se limita àqueles casos em que haja reincidência na violação aos direitos autorais, por má-fé da parte devedora, o que não é o caso dos autos. 11.'Na execução comercial desautorizada de obra musical, a relação entre o titular da obra (representado pelo ECAD) e o executor será extracontratual, ante à inexistência de vínculo entre as partes, de sorte que eventual condenação judicial fica sujeita a juros de mora contados desde o ato ilícito, nos termos do art. 398 do CC⁄02 e do enunciado nº 54 da Súmula⁄STJ' (REsp 1424004⁄GO, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 25⁄03⁄2014, DJe 28⁄03⁄2014). 11.1.Correta a incidência da correção monetária desde o evento lesivo, isto é, da data em que o pagamento devido não foi realizado. 12.Quanto à fixação dos consectários legais decorrentes de condenação contra a Fazenda Pública, incide à matéria o reiterado posicionamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal no sentido da aplicação dos cálculos conforme previsto no art. 1º-F da Lei n. 9.494⁄97, com a redação dada pela Lei n. 11.960⁄09, ressalvada, ainda, a aplicação, na fase de liquidação de sentença, de nova solução a ser oportunamente conferida à questão pelo Pretório Excelso. 13.Cuidando-se de condenação imposta à Fazenda Pública, o § 4º do art. 20 do CPC estabelece que os honorários advocatícios devem ser fixados de acordo com a apreciação equitativa do julgador, valendo-se, para tanto, dos parâmetros insertos no § 3º do mesmo preceptivo legal (grau de zelo do profissional, lugar da prestação do serviço, natureza e importância da causa, trabalho realizado pelo advogado e tempo exigido para o seu serviço). Nesse propósito, pode o julgador tanto utilizar-se dos percentuais mínimo de 10% e máximo de 20% - seja sobre o montante da causa, seja sobre o montante condenatório - como estabelecer um valor fixo. Precedentes. 13.1.À luz do caso concreto, é de se manter hígido o patamar estabelecido na sentença, de 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação. 14. Recurso de apelação e Reexame Necessário conhecidos, preliminares de nulidade e de ilegitimidade passiva rejeitadas, prescrição afastada, e, no mérito, parcialmente providos para determinar a aplicação, por ora, do disposto no art. 1º-F da Lei n. 9.494⁄97, com redação dada pela Lei n. 11.960⁄09, no tocante aos juros de mora e correção monetária."   O DISTRITO FEDERAL interpôs recurso especial, monocraticamente provido para reconhecer a prescrição dos valores devidos há mais de três anos do ajuizamento da ação, cuja decisão foi confirmada pelo colegiado da Terceira Turma do STJ, nos termos da ementa acima citada. Em síntese, argumenta o embargante que o acórdão impugnado diverge da decisão proferida no REsp n. 1.211.949⁄RS ao reconhecer a incidência do prazo de prescrição trienal. Aduz que (e-STJ fl. 595): "(...) a E. Quarta Turma entendeu que o prazo prescricional para a cobrança de direitos autorais das mensalidades devidas será de 10 anos, incidindo no caso o artigo 205 do Código Civil, que é o caso dos autos. Já a Terceira Turma, ao contrário do entendimento acima entendeu por aplicar o artigo 206, parágrafo 3º, inciso V do Código Civil, determinando que o prazo prescricional é de 03 (três) anos. Comprovado está, portanto, o dissídio jurisprudencial entre as Turmas que compõem a Segunda Seção, posto que em situações semelhantes, foram dadas soluções divergentes. Assim, não há que se falar que o acórdão recorrido encontra amparo na orientação jurisprudencial desta Corte, pois a jurisprudência da E. Quarta Turma pacificou o entendimento que é de 10 (dez) anos o prazo de prescrição para o ECAD cobrar os direitos autorais relativos à execução pública musical."   Afirma ainda que "a falta de pagamento dos direitos autorais devidos ao ECAD se assemelha ao descumprimento de obrigação contratual, e não a um ilícito clássico. De tal modo, incide no caso dos autos o artigo 205 do Código Civil" (e-STJ fl. 602). Pede a reforma do acórdão embargado, para que seja fixado o prazo prescricional de 10 (dez) anos para a cobrança de direitos autorais nos termos do art. 205 do CC⁄2002 (e-STJ fl. 1.017). É o relatório. Decido. A TERCEIRA TURMA, no acórdão embargado, aplicou o prazo trienal de prescrição, deliberando que (e-STJ fls. 997⁄999): "De fato, este Superior Tribunal firmou o entendimento de que, em se tratando de violação extracontratual de direitos do autor, aplica-se o disposto no art. 206, § 3 o , V, do Código Civil de 2002, segundo o qual prescreve em 3 (três) anos a pretensão de reparação civil, observadas as regras de transição previstas no art. 2.028 do mesmo diploma legal. (...) Na hipótese dos autos, tendo em vista a ausência de liame contratual entre as partes, deve ser aplicado o prazo prescricional elencado no art. 206, § 3 o , V, do Código Civil."   O paradigma indicado pelo recorrente trata de circunstância fática diversa, na qual se decidiu o prazo prescricional para execução de multa por descumprimento de decisão judicial que havia determinado ao réu se abster de executar obra musical. Confira-se: "A controvérsia reside em estabelecer o prazo prescricional aplicável ao caso dos autos – execução de multa fixada em sentença pelo descumprimento de decisão judicial que reconheceu a transgressão dos direitos autorais –, se aquele inserto no artigo 131 da Lei n. 5.988⁄73 (5 anos), ou aquele do artigo 177 do Código Civil⁄1916 (20 anos), ou ainda, o previsto no artigo 205 do Código Civil vigente (10 anos). Observa-se que a pretensão executiva compreende todo o período de julho de 1993 a novembro de 2006. Partindo-se da premissa de que o prazo prescricional deve ser contado a partir do nascimento do direito subjetivo da ação, conclui-se que, na hipótese específica dos autos – em que se pleiteia a execução de multa imposta em sentença, pela desobediência de decisão judicial que reconheceu a prática de conduta ilícita –, via de regra, esse termo deve ser computado a partir de cada descumprimento."   O acórdão embargado, entretanto, examinou situação em que se pleiteia perdas e danos pela afronta a direitos autorais, e não multas pela inobservância de decisão judicial que ordenou ao infrator a abstenção de uma conduta. Assim, constata-se a ausência de similitude fática e jurídica entre os julgados confrontados, indispensável à demonstração do alegado dissenso interpretativo. Nesse sentido, na presente hipótese, conforme mencionado, reconheceu-se o caráter extracontratual do ilícito que originou a ação de cobrança (e-STJ fl. 999). Desse modo, a matéria discutida no âmbito das Turmas que compõem esta Segunda Seção foi decidida no mesmo sentido do acórdão recorrido. Com efeito, em julgados da Terceira e da Quarta Turmas entendeu-se que, "em se tratando de pretensão de cobrança relativo a ilícito extracontratual, o prazo prescricional incidente no caso de violação de direitos do autor é de 3 (três) anos, a teor do que disposto pelo art. 206, § 3º, do Código Civil" (AgRg no REsp n. 1.432.129⁄DF, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 1º⁄9⁄2016, DJe 16⁄9⁄2016). A propósito: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE. SÚMULA 83⁄STJ. REEXAME DE MATÉRIA PROBATÓRIA. SÚMULA 7⁄STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Não há falar em violação do art. 535 do Código de Processo Civil pois o Tribunal de origem dirimiu as questões pertinentes ao litígio, afigurando-se dispensável que venha examinar uma a uma as alegações e fundamentos expendidos pelas partes. 2. De acordo com a jurisprudência desta Corte, incide a prescrição trienal aos casos de indenização por violação extracontratual de direito autoral. Precedentes. 3. O Tribunal de origem consigna a inexistência de prescrição, tendo em vista que o autor das músicas negociadas pela recorrente, teve ciência de dita negociação no ano de 2008, ao passo que a ação de rescisão contratual cumulada com pedido indenizatório foi ajuizada em 15⁄09⁄2010, quando ainda não havia se esvaído o prazo prescricional de três anos. Portanto, a reforma do aresto, neste aspecto, demanda inegável necessidade de reexame do acervo fático-probatório soberanamente delineado perante as instâncias ordinárias, providência inviável de ser adotada em sede de recurso especial, ante o óbice da Súmula 7⁄STJ. 4. Agravo regimental não provido." (AgRg no AREsp n. 696.121⁄RJ, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 18⁄8⁄2015, DJe 27⁄8⁄2015.)   "CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E PATRIMONIAIS. VIOLAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS. PRESCRIÇÃO. PRAZO TRIENAL. OCORRÊNCIA ENTENDIMENTO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 83 DO STJ. CONTRAFAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. REEXAME DE PROVA. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Nas demandas indenizatórias por ofensa a direito autoral, os prazos prescricionais são regulados pelo art. 206, § 3º, V, do Código Civil e prescrevem em 3 anos. Aplicação da Súmula nº 83 do STJ. 2. As instâncias ordinárias, titulares absolutas da análise de prova, reconheceram que não houve contrafação e, consequentemente, configuração do direito à indenização por dano moral. Incidência da Súmula nº 7 do STJ. 3. O presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, que decidiu em consonância com a jurisprudência desta Corte de Justiça, devendo ele ser integralmente mantido pelos seus próprios fundamentos. 4. Agravo regimental não provido." (AgRg no REsp n. 1.412.700⁄SP, Relator Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 13⁄10⁄2015, DJe 6⁄11⁄2015.)   Registre-se que o propósito dos embargos de divergência é a uniformização do entendimento entre órgãos fracionários do STJ. Nesse sentido, estando a jurisprudência dominante em consonância com o acórdão embargado, afiguram-se incabíveis estes embargos (Súmula n. 168⁄STJ). Diante do exposto, com fundamento no § 3º do art. 266 do RISTJ, INDEFIRO LIMINARMENTE os embargos de divergência. Publique-se e intimem-se.   Com efeito, não se podem admitir embargos de divergência quando inexistente a indispensável semelhança fático-processual entre os arestos confrontados. A TERCEIRA TURMA, na verdade, apreciou discussão sobre a prescrição envolvendo violação extracontratual direta de direitos autorais (e-STJ fls. 997⁄999). O paradigma (REsp n. 1.211.949⁄MG), no entanto, enfrentou questão relativa ao prazo prescricional para execução de multa cominatória, por descumprimento de decisão judicial que proibia o réu de executar obra musical (e-STJ fl. 1.027). Constata-se assim a diferença fático-processual entre os julgados confrontados. Vale registrar que as exigências relativas à demonstração da divergência jurisprudencial não foram modificadas pelo CPC⁄2015, assim dispondo o seu art. 1.043, § 4º: Art. 1.043. É embargável o acórdão de órgão fracionário que: (...) § 4º O recorrente provará a divergência com certidão, cópia ou citação de repositório oficial ou credenciado de jurisprudência, inclusive em mídia eletrônica, onde foi publicado o acórdão divergente, ou com a reprodução de julgado disponível na rede mundial de computadores, indicando a respectiva fonte, e mencionará as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados.   Além disso, como exposto na decisão agravada, a jurisprudência de ambas as turmas que compõem esta SEGUNDA SEÇÃO consolidou-se no sentido de ser trienal, quando se discute ilícito extracontratual, o prazo de prescrição relativo à pretensão decorrente de afronta a direito autoral. Nesse sentido, além dos julgados referidos na decisão agravada: RECURSO ESPECIAL. DIREITO AUTORAL. VIOLAÇÃO. ECAD. PRETENSÃO FUNDADA EM RESPONSABILIDADE CIVIL. PRESCRIÇÃO TRIENAL. ART. 206, § 3º, V, DO CÓDIGO CIVIL. 1. A cobrança em juízo dos direitos decorrentes da execução de obras musicais sem prévia e expressa autorização do autor envolve pretensão de reparação civil, a atrair a aplicação do prazo de prescrição de 3 (três) anos de que trata o art. 206, § 3º, V, do Código Civil, observadas as regras de transição previstas no art. 2.028 do mesmo diploma legal, não importando se proveniente de relações contratuais ou extracontratuais. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1.474.832⁄SP, Relator Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, Rel. p⁄ Acórdão Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 13⁄12⁄2016, DJe 3⁄3⁄2017.)   Extrai-se do voto vencedor, no último precedente citado (REsp 1.474.832), que: Registra-se, por fim, que, no precedente indicado pelo Relator (REsp nº 1.211.949⁄RS), da relatoria do Ministro Marco Buzzi, residia a controvérsia em estabelecer o prazo prescricional aplicável à hipótese de execução de multa pelo descumprimento de decisão judicial que reconheceu a transgressão de direitos autorais, hipótese diversa da aqui examinada. Interessante notar que, no referido julgado, invocou-se o mesmo precedente (REsp 1.159.317⁄SP) que estabelecia a prescrição trienal em caso de violação de direitos do autor na hipótese de ilícito extracontratual, ou o prazo de 10 (dez) anos quando a ofensa ao direito autoral se assemelhar a um descumprimento contratual. Entende-se, desse modo, que deve ser mantida a jurisprudência já consagrada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, de que, na vigência do Código Civil⁄2002, em se tratando de pretensão à cobrança de direitos autorais decorrentes de ilícito extracontratual, aplica-se o prazo prescricional de 3 (três) anos (art. 206, § 3º, V), incidindo a prescrição decenal de que trata o art. 205 do mesmo diploma legal na hipótese de descumprimento contratual ou situação assemelhada.   Na presente hipótese, aplica-se o prazo trienal, pois a demanda visa à reparação por violação de direitos autorais decorrente de ilícito extracontratual, em que o agravado teria promovido eventos festivos com execução de músicas, sem a prévia autorização e antecipado pagamento dos direitos autorais (e-STJ fls. 2⁄25). Com efeito, eventual tentativa de mudança de jurisprudência deve ser realizada na via própria, não em embargos de divergência quando ausente efetiva semelhança fático-jurídica entre os casos confrontados. Em tais circunstâncias, as razões deduzidas pelo recorrente não se mostraram suficientes para demonstrar semelhança fático-jurídica entre os casos confrontados e dissenso entre as turmas que compõem esta Segunda Seção, de modo a ensejar a reforma da decisão impugnada. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC⁄2015, majoro em 20% o valor atualizado dos honorários advocatícios arbitrados na origem em favor da parte recorrida, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Destaco, para tanto, que, ao indeferir liminarmente os embargos de divergência, sem prévia intimação da parte recorrida, deixei de arbitrar honorários recursais em favor do embargado por não serem devidos. Com efeito, naquela ocasião, não houve trabalho adicional desenvolvido pelo respectivo advogado, que, à época, nem mesmo foi intimado da interposição dos embargos. Publicada a decisão ora agravada na vigência do CPC⁄2015, tais honorários são fixados agora por se ter intimado o recorrido, através do seu representante judicial, para impugnar e, também, acompanhar o julgamento do agravo interno, constatando-se o trabalho adicional indicado no art. 85, § 11, do CPC, que deve ser remunerado. Em caso semelhante, no qual o acórdão embargado foi publicado na vigência do CPC⁄1973 (DJe de 8.3.2016) e os embargos de divergência protocolizados em 28.3.2016, quando em vigor o CPC⁄2015, a CORTE ESPECIAL fixou honorários recursais, na forma do art. 85, § 11, do CPC⁄2015, ao desprover o agravo interno interposto contra a decisão que indeferiu liminarmente o recurso. Na parte final do voto do em. Relator, Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, consta: O novo Código de Processo Civil, no art. 85, § 11, passou a regulamentar o cabimento de nova verba honorária voltada a compensar o trabalho adicional do advogado no segundo grau de jurisdição e nos tribunais superiores. Eses honorários, ditos recursais, devem ser cumulados com aqueles fixados em primeira instância. A nova regra tem limites objetivos para que a majoração da verba honorária seja realizada sem prejuízo para o acesso ao duplo grau de jurisdição, bem como sem enriquecimento ilícito do causídico beneficiado. Assim, seja qual for o critério de fixação adotado, o cômputo geral da verba honorária, ao abarcar tanto os honorários fixados na sentença quanto os honorários recursais, não pode ultrapassar os limites dos §§ 2º e 3º do art. 85 do CPC⁄2015. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno . Com base na fundamentação supra, considerando que a sentença fixou os honorários em 5% do valor atribuído à causa e do importe pertinente às despesas processuais, em montantes atualizados, majoro a respectiva verba em 1%. (AgInt nos EAREsp n. 792.409, DJe de 15.3.2017.)   No mesmo sentido, em processo no qual o acórdão embargado foi publicao na vigência do CPC⁄1973 e os embargos foram interpostos com fundamento no CPC⁄2015, também cito: AgInt nos EREsp n. 1.508.607⁄CE, CORTE ESPECIAL, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJe de 15.3.2017. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno e MAJORO em 20% (vinte por cento) o valor dos honorários fixados em segundo grau em favor do ora agravado. É como voto.
Documento: 75829256 RELATÓRIO E VOTO
Disponível em: https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/511550836/agravo-interno-nos-embargos-de-divergencia-em-recurso-especial-agint-nos-eresp-1539725-df-2015-0150082-1/relatorio-e-voto-511550869

Informações relacionadas

Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios TJ-DF: 073XXXX-43.2021.8.07.0016 DF 073XXXX-43.2021.8.07.0016

Tribunal de Justiça de Minas Gerais
Jurisprudênciahá 3 anos

Tribunal de Justiça de Minas Gerais TJ-MG - Ap Cível/Rem Necessária: AC 10024134197482003 MG

Tribunal Superior do Trabalho
Jurisprudênciaano passado

Tribunal Superior do Trabalho TST - AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA: AIRR 11641-46.2016.5.09.0002

Superior Tribunal de Justiça STJ - AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL: AREsp 1588646 RS 2019/0286594-0

Tribunal de Justiça de Minas Gerais
Jurisprudênciaano passado

Tribunal de Justiça de Minas Gerais TJ-MG - Apelação Cível: AC 000XXXX-94.2013.8.13.0080 Bom Sucesso