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8 de Agosto de 2022
  • 2º Grau
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Superior Tribunal de Justiça
há 4 anos

Detalhes da Jurisprudência

Processo

Órgão Julgador

T2 - SEGUNDA TURMA

Publicação

Julgamento

Relator

Ministro OG FERNANDES

Documentos anexos

Inteiro TeorSTJ_RESP_1318717_4e9d9.pdf
Certidão de JulgamentoSTJ_RESP_1318717_27c4c.pdf
Relatório e VotoSTJ_RESP_1318717_cf764.pdf
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Relatório e Voto

Superior Tribunal de Justiça
Revista Eletrônica de Jurisprudência
  Exportação de Auto Texto do Word para o Editor de Documentos do STJ RECURSO ESPECIAL Nº 1.318.717 - MG (2011⁄0248510-5) RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA - INCRA ADVOGADO : VALDEZ ADRIANI FARIAS E OUTRO(S) - RS046424 RECORRIDO : PONTAL EMPREENDIMENTOS AGROPECUÁRIOS LTDA ADVOGADO : TERESA REZENDE E SANTOS E OUTRO(S) - MG104641 INTERES.  : BANCO MERCANTIL DO BRASIL SA RELATÓRIO   O SR. MINISTRO OG FERNANDES: Trata-se de recurso especial interposto pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra, com fundamento na alínea "a" do inciso III do art. 105 da CF⁄1988, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, assim ementado (e-STJ, fl. 574):   ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO PARA FINS DE REFORMA AGRARIA. IMISSÃO NA POSSE. INVASÃO. LC 76⁄93. ART. 2º, § 6º, LEI 8.629⁄93. IMPOSSIBILIDADE. 1. Restaram provadas as reiteradas invasões no imóvel pelos documentos juntados aos autos. O próprio apelante admite a ocorrência do esbulho, conforme constatado no Laudo de Vistoria e Avaliação por ele realizado e mesmo tendo conhecimento que a área das Fazendas Tabocas, Pacu e Covancas eram objeto de esbulho no momento da vistoria, veio realizá-la, no período de 06 a 16⁄09⁄2005, havendo, pois, violação ao disposto no art. 2º, § 6º, da Lei nº 8.629⁄93. 2. O imóvel invadido não pode ser vistoriado, avaliado e desapropriado, em face da vedação contida no artigo 2º, § 6º, da Lei nº 8.629⁄93. 3. A norma do artigo 2º da referida lei é norma de ordem pública, o que torna impraticável pelas partes a transação, ou até mesmo, a renúncia em relação ao disposto na mesma. 4. Apelação e remessa oficial improvidas.   Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ, fls. 622-628). Alega a parte recorrente contrariedade aos arts. 535 do CPC⁄1973 e 2º, § 6º, da Lei n. 8.629⁄1993. Defende, em síntese: i) nulidade quanto à omissão da impossibilidade de extensão legal das hipóteses de restrição à desapropriação para reforma agrária; ii) inaplicabilidade da restrição legal à hipótese, em que a vistoria ocorreu mediante autorização da proprietária, em acordo homologado judicialmente. Apresentadas contrarrazões (e-STJ, fls. 695-707), o apelo excepcional foi admitido por decisão desta Corte (e-STJ, fl. 754). Parecer ministerial pelo desprovimento do recurso especial (e-STJ, fls. 811-816). Processo com prioridade legal (art.12, § 2º, VII, do CPC⁄2015). É o relatório. RECURSO ESPECIAL Nº 1.318.717 - MG (2011⁄0248510-5) VOTO   O SR. MINISTRO OG FERNANDES (Relator): Registro, de início, não prosperar a tese de violação do art. 535 do CPC⁄1973, porquanto o acórdão recorrido fundamentou claramente seu posicionamento, de modo a prestar a jurisdição que lhe foi postulada. O aresto afirmou a incidência da norma nestes termos (e-STJ, fl. 571):   É sabido, ademais, que a norma do artigo 2º da referida lei é norma de ordem pública, o que torna impraticável pelas partes a transação, ou até mesmo, a renúncia em relação ao disposto na mesma. O Ministério Público Federal ao ofertar parecer nesta instância assim se manifestou quanto ao mérito da pretensão do apelante:   (...) No caso vertente constata-se, conforme o laudo pericial de fl. 282, fornecido pelo próprio INCRA, que a fazenda covancas encontrava-se ocupada por famílias de trabalhadores rurais sem terra ligados ao MST à época da vistoria. Incide, na espécie, portanto, a aplicação do art. 2º, § 6º, da Lei 8.629⁄93, não servindo para afastá-la o alegado consentimento do apelado para a realização da vistoria. Este é, também, o entendimento deste e. TRF 1ª Região, como se observa nos seguintes arestos: (...) Destarte, sendo taxativa a lei em não permitir a vistoria de imóvel ocupado ao longo do período de 2 (dois) anos após a desocupação, e ainda ordenando que se averigúe a responsabilidade civil e objetiva daqueles que propiciem o descumprimento das vedações por ela impostas, deve ser mantida a decisão que extinguiu o processo sem resolução de mérito. (fls. 499 v⁄500)   Este Tribunal adota o mesmo entendimento manifestado no parecer ministerial, como se vê dos seguintes julgados: [...]   Sendo assim, não há que se falar em omissão, obscuridade ou contradição do aresto. O fato de o Tribunal de origem haver decidido a lide de forma contrária à defendida pela parte recorrente, elegendo fundamentos diversos daqueles por ela propostos, não configura qualquer vício passível de exame em embargos de declaração. No mérito, os precedentes desta Corte são pela inviabilidade da realização da vistoria em caso de anterior esbulho, conforme entendido pela origem. A propósito:   ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. DESAPROPRIAÇÃO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO DE VISTORIA E AVALIAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. ANTERIORIDADE DO ESBULHO. LEI 8.629⁄93. SÚMULA 354⁄STJ. 1. Nos termos do art. 2º, § 6º, da Lei 8.629⁄93 e dos precedentes desta Corte, é vedada a vistoria de imóvel para fins de reforma agrária quando há esbulho possessório ou invasão motivada por conflito agrário ou fundiário de caráter coletivo. A propósito, ressalta-se o texto da Súmula 354⁄STJ: A invasão do imóvel é causa de suspensão do processo expropriatório para fins de reforma agrária. 2. De outro lado, quando a ocupação do imóvel ocorre após a realização de vistoria que conclui pela improdutividade da gleba, ela não é capaz de paralisar o processo de desapropriação. 3. No caso dos autos, restou consignado no acórdão local, a anterioridade do esbulho possessório que acometeu o imóvel expropriando em relação à notificação para a realização de vistoria pelo INCRA. Desse modo, estando o acórdão recorrido em consonância com a jurisprudência desta Corte, incide o óbice da Súmula 83⁄STJ. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1.362.076⁄PE, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16⁄2⁄2017, DJe 2⁄3⁄2017)   ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 2⁄STJ. INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE. DESAPROPRIAÇÃO POR INTERESSE SOCIAL PARA FINS DE REFORMA AGRÁRIA. ESBULHO POSSESSÓRIO POR MOVIMENTO SOCIAL. CONFLAGRAÇÃO CAMPESINA. DESIMPORTÂNCIA. MOMENTO, EXTENSÃO OU INFLUÊNCIA DO ESBULHO NOS GRAUS DE PRODUTIVIDADE. 1. A incidência do art. 2.º, § 6.º, da Lei 8.629⁄1993, ocorre quando houver esbulho possessório motivado por conflito agrário ou fundiário de caráter coletivo, sendo irrelevantes o momento, se antes ou posterior à vistoria administrativa, a extensão do imóvel no qual ocorre e, ainda, a influência sobre o produtividade do imóvel rural. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no AREsp 247.823⁄PB, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 21⁄11⁄2017, DJe 27⁄11⁄2017)   PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO PARA FINS DE REFORMA AGRÁRIA. INVASÃO DO IMÓVEL. ESBULHO POSSESSÓRIO. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 7⁄STJ. SÚMULA 354⁄STJ. SÚMULA 83⁄STJ. 1. Inviável rever a premissa fática fixada pelo Tribunal a quo sobre ter ou não a invasão influído na avaliação da produtividade do imóvel, por demandar o reexame do acervo fático-probatório dos autos, óbice da Súmula 7⁄STJ. 2. Orientação adotada pela Corte de origem em sintonia com a jurisprudência do STJ, no sentido de que "a invasão do imóvel é causa de suspensão do processo expropriatório para fins de reforma agrária" (Súmula 354⁄STJ). (AgRg no Ag 1.432.291⁄BA, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 8.10.2013, DJe 18.10.2013). 3. "Qualquer que seja a data da invasão, anterior ou posterior, ou mesmo sua extensão, se total ou mínima, o esbulho possessório acarreta a suspensão do processo expropriatório quanto aos atos mencionados no art. 2º, § 6º, da Lei n. 8.629⁄93" (AgRg no REsp 1.249.579⁄AL, DJe de 4⁄9⁄2013). 4.Agravo Regimental não provido (AgRg no AREsp 516.531⁄PE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18⁄6⁄2015, DJe 5⁄8⁄2015)   Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial. É como voto.
Documento: 82166792 RELATÓRIO E VOTO
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