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6 de Julho de 2022
  • 2º Grau
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Superior Tribunal de Justiça
há 4 anos

Detalhes da Jurisprudência

Órgão Julgador

T3 - TERCEIRA TURMA

Publicação

DJe 02/08/2018

Julgamento

26 de Junho de 2018

Relator

Ministro MOURA RIBEIRO

Documentos anexos

Inteiro TeorSTJ_RESP_1558679_7ca63.pdf
Certidão de JulgamentoSTJ_RESP_1558679_d6a47.pdf
Relatório e VotoSTJ_RESP_1558679_8f9ab.pdf
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Relatório e Voto

Superior Tribunal de Justiça
Revista Eletrônica de Jurisprudência
    RECURSO ESPECIAL Nº 462969/MA RECURSO ESPECIAL Nº 1.558.679 - SP (2015⁄0254022-0) RELATOR : MINISTRO MOURA RIBEIRO RECORRENTE : EURÍDES SABINO ROSA RECORRENTE : CAMILA PAULUCCI CORTEZ RECORRENTE : ORTÉSIO DOS SANTOS FILHO RECORRENTE : ADRIANO DA SILVA MARQUES RECORRENTE : MARIA CUNHA DA SILVA RECORRENTE : IRINEU GODOY RECORRENTE : MÁRIO APARECIDO DO AMARAL RECORRENTE : ANTÔNIO MARTIN GARCIA RECORRENTE : JOSÉ FRANCISCO DA CRUZ RECORRENTE : RICARDO ANTÔNIO BOTTA RECORRENTE : WALDOMIRO LAZARI RECORRENTE : ALDECI FAGIAN FERREIRA RECORRENTE : ILÇO REIS RECORRENTE : PEDRO DE MATOS RECORRENTE : MARCIA BEATRIZ FERREIRA RECORRENTE : EDINA BRAGA RECORRENTE : LEONICE NEPOMUCENO DE MELO RECORRENTE : OSWALDO DOS SANTOS RECORRENTE : JOSÉ BIZERRA DE MELLO RECORRENTE : NIVALDO ANTÔNIO BOTTA ADVOGADOS : PEDRO EGÍDIO MARAFIOTTI  - SP110669   RICARDO BIANCHINI MELLO E OUTRO(S) - SP240212 RECORRIDO : SUL AMERICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS ADVOGADO : LOYANNA DE ANDRADE MIRANDA  - SP398091 INTERES.  : CAIXA ECONÔMICA FEDERAL   RELATÓRIO   O EXMO. SENHOR MINISTRO MOURA RIBEIRO (Relator):

EURÍDES SABINO ROSA e outros (EURÍDES e outros) promoveram ação de indenização securitária contra a SUL AMÉRICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS (SUL AMÉRICA), por vícios de construção nos imóveis que adquiriram pelo SFH.

 

A sentença julgou procedentes os pedidos iniciais (e-STJ, fls. 1.070⁄1.080).

 

Sobreveio apelação pela qual a SUL AMÉRICA sustentou, em resumo, a ocorrência da prescrição ânua; o interesse da CEF e, por consequência, a competência da Justiça federal; a inexistência de cobertura securitária para os vícios de construção; a falta de interesse processual; e, a inaplicabilidade do CDC e da multa decendial.

 

O Tribunal de origem, por maioria, deu provimento ao apelo manifestado pela  SUL AMÉRICA para julgar improcedente os pedidos iniciais, ante a ausência de cobertura securitária para os vícios apurados pela perícia, bem assim pela falta de interesse processual, em acórdão que recebeu a seguinte ementa:

 

SEGURO HABITACIONAL - Competência da Justiça Estadual constatada - Prescrição ânua - Inocorrência - Hipótese em que se discutem danos contínuos e permanentes, sem ser possível fixar data para inicio da contagem do prazo prescricional - Aplicação do art. 177, do Código Civil de 1916 - Ilegitimidade passiva e ativa - Inocorrência - Ré que não comprovou que, à época dos sinistros, não figurava entre as seguradoras responsáveis pelos contratos - Vínculo entre a seguradora e os autores decorrente do fato de serem estes meeiros ou cessionários - Inépcia da inicial - Ajuizamento da ação que não está condicionado à prévia comunicação do sinistro à seguradora - Falta de interesse de agir - Matéria que se confunde com o mérito - Vícios decorrentes de falhas de construção - Ausência de cobertura na apólice - Impossibilidade de atribuir-se à seguradora a tarefa de fiscalização da construção - Hipótese em que, ademais, os próprios autores reconheceram já ter ocorrido a quitação dos financiamentos - Inexistência da pretendida cobertura securitária - Ação improcedente - Inversão dos ônus de sucumbência - Agravo retido desprovido e provida a apelação (e-STJ, fl. 1.468  –  sem destaque no original) .

 

Os embargos infringentes opostos por EURÍDES e outros foram rejeitados, em acórdão assim ementado:

 

SEGURO HABITACIONAL - Danos físicos no imóvel, resultantes de vícios de construção e projeto - Causas internas - Ausência de cobertura - Interpretação do contrato - Embargos infringentes rejeitados (e-STJ, fl. 1.778  –  sem destaque no original).

 

Os embargos de declaração interpostos foram rejeitados (e-STJ, fls. 1.792⁄1.797).

 

Irresignados, EURÍDES e outros manifestaram recurso especial, com fundamento nas alíneas a e c do permissivo constitucional, alegaram divergência jurisprudencial e afronta dos arts. (1) 535 do CPC⁄73, por negativa de prestação jurisdicional quanto (a) a possibilidade de pagamento de indenização dos contratos adimplidos; e, (b) a existência de cobertura securitária para os vícios de construção; e, (2) 1.434 e 1.460, do CC⁄16 (423 e 760, do CC⁄02); 47, 48, 51, IV e 54, todos do CDC, por existência de cobertura securitária para os vícios de construção, sendo irrelevante o pagamento dos contratos de financiamento.

 

As contrarrazões foram apresentadas (e-STJ, fls. 2.171⁄2.178).

 

O recurso especial foi admitido na origem (e-STJ, fls. 2.180⁄2.182).

 

Em decisão monocrática de minha lavra, não foi conhecido o recurso especial nos termos da seguinte ementa:

 

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA POR VÍCIOS DE CONSTRUÇÃO. SEGURO HABITACIONAL. INEXISTÊNCIA DE COBERTURA. SÚMULAS NºS 5 E 7, AMBAS DO STJ.  RECURSO NÃO CONHECIDO (e-STJ, fl. 2.198).  

EURÍDES e outros manifestaram agravo interno, que foi desprovido pela eg. Terceira Turma, seguindo-se a interposição de tempestivos embargos de declaração (e-STJ, fls. 2.234⁄2.246 e 2.249⁄2.261) .

 

A eg. Terceira Turma, na sessão de julgamento realizada no dia no 23⁄8⁄2016, acolheu os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para anular o acórdão de e-STJ, fls. 2.234⁄2.246, bem como a decisão de e-STJ, fls. 2.198⁄2.203, e determinar o retorno dos autos ao Gabinete para posterior inclusão do recurso especial em pauta (e-STJ, fls. 2.274⁄2.286).

 

É o relatório.

RECURSO ESPECIAL Nº 1.558.679 - SP (2015⁄0254022-0) RELATOR : MINISTRO MOURA RIBEIRO RECORRENTE : EURÍDES SABINO ROSA RECORRENTE : CAMILA PAULUCCI CORTEZ RECORRENTE : ORTÉSIO DOS SANTOS FILHO RECORRENTE : ADRIANO DA SILVA MARQUES RECORRENTE : MARIA CUNHA DA SILVA RECORRENTE : IRINEU GODOY RECORRENTE : MÁRIO APARECIDO DO AMARAL RECORRENTE : ANTÔNIO MARTIN GARCIA RECORRENTE : JOSÉ FRANCISCO DA CRUZ RECORRENTE : RICARDO ANTÔNIO BOTTA RECORRENTE : WALDOMIRO LAZARI RECORRENTE : ALDECI FAGIAN FERREIRA RECORRENTE : ILÇO REIS RECORRENTE : PEDRO DE MATOS RECORRENTE : MARCIA BEATRIZ FERREIRA RECORRENTE : EDINA BRAGA RECORRENTE : LEONICE NEPOMUCENO DE MELO RECORRENTE : OSWALDO DOS SANTOS RECORRENTE : JOSÉ BIZERRA DE MELLO RECORRENTE : NIVALDO ANTÔNIO BOTTA ADVOGADOS : PEDRO EGÍDIO MARAFIOTTI  - SP110669   RICARDO BIANCHINI MELLO E OUTRO(S) - SP240212 RECORRIDO : SUL AMERICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS ADVOGADO : LOYANNA DE ANDRADE MIRANDA  - SP398091 INTERES.  : CAIXA ECONÔMICA FEDERAL EMENTA CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO CPC⁄73. SFH. SEGURO HABITACIONAL. SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC⁄73. OMISSÃO INEXISTENTE. COBERTURA SECURITÁRIA. DEMANDA AJUIZADA VÁRIOS ANOS APÓS A EXTINÇÃO DO CONTRATO DE FINANCIAMENTO. CARÊNCIA DE AÇÃO POR FALTA DE INTERESSE DE AGIR. CLÁUSULA CONTRATUAL. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. VALIDADE.  JURISPRUDÊNCIA  DESTA CORTE. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. Inaplicabilidade do NCPC neste julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 2, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9⁄3⁄2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC⁄1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça . 2. Não há ofensa ao art. 535 do CPC⁄73 quando o Tribunal de origem enfrenta todas as questões postas, não havendo no acórdão recorrido omissão, contradição ou obscuridade. 3. Liquidado o contrato de financiamento habitacional, não há mais o pagamento de prêmio de seguro, e, por consequência, não há que se falar em cobertura securitária. Colhe-se, assim, a ausência do interesse de agir. 4. Não há nenhum reparo a ser feito ao acórdão recorrido, tendo em conta que o objeto de cobertura da apólice está expressamente predeterminado, o que é legalmente permitido, nos termos do art. 757 do CC⁄02. 5. Nos contratos de seguro por adesão, os riscos predeterminados indicados no art. 757, parte final, devem ser interpretados de acordo com os arts. 421, 422, 424, 759 e 799, todos do CC⁄02 e 1º, III, da Constituição Federal (Enunciado nº 370 da IV Jornada de Direito Civil do CJF). 6. Recurso especial desprovido. RECURSO ESPECIAL Nº 1.558.679 - SP (2015⁄0254022-0) RELATOR : MINISTRO MOURA RIBEIRO RECORRENTE : EURÍDES SABINO ROSA RECORRENTE : CAMILA PAULUCCI CORTEZ RECORRENTE : ORTÉSIO DOS SANTOS FILHO RECORRENTE : ADRIANO DA SILVA MARQUES RECORRENTE : MARIA CUNHA DA SILVA RECORRENTE : IRINEU GODOY RECORRENTE : MÁRIO APARECIDO DO AMARAL RECORRENTE : ANTÔNIO MARTIN GARCIA RECORRENTE : JOSÉ FRANCISCO DA CRUZ RECORRENTE : RICARDO ANTÔNIO BOTTA RECORRENTE : WALDOMIRO LAZARI RECORRENTE : ALDECI FAGIAN FERREIRA RECORRENTE : ILÇO REIS RECORRENTE : PEDRO DE MATOS RECORRENTE : MARCIA BEATRIZ FERREIRA RECORRENTE : EDINA BRAGA RECORRENTE : LEONICE NEPOMUCENO DE MELO RECORRENTE : OSWALDO DOS SANTOS RECORRENTE : JOSÉ BIZERRA DE MELLO RECORRENTE : NIVALDO ANTÔNIO BOTTA ADVOGADOS : PEDRO EGÍDIO MARAFIOTTI  - SP110669   RICARDO BIANCHINI MELLO E OUTRO(S) - SP240212 RECORRIDO : SUL AMERICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS ADVOGADO : LOYANNA DE ANDRADE MIRANDA  - SP398091 INTERES.  : CAIXA ECONÔMICA FEDERAL   VOTO   O EXMO. SENHOR MINISTRO MOURA RIBEIRO (Relator):

O recurso não merece provimento.

 

De plano, vale pontuar que as disposições do NCPC, no que se refere aos requisitos de admissibilidade dos recursos, são inaplicáveis ao caso concreto, ante os termos do Enunciado Administrativo nº 2, aprovado pelo Plenário do STJ na Sessão de 9⁄3⁄2016:

  Aos recursos interpostos com fundamento no CPC⁄73 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.

 

Conforme já constou do relatório, EURÍDES e outros promoveram ação de indenização securitária contra a SUL AMÉRICA por vícios de construção nos imóveis que adquiriram pelo SFH.

 

A sentença julgou procedentes os pedidos iniciais.

 

O Tribunal de origem, por maioria, deu provimento ao apelo manifestado pela  SUL AMÉRICA para julgar improcedentes os pedidos, ante a ausência de cobertura securitária para os vícios apurados pela perícia.

 

Os embargos infringentes opostos por EURÍDES e outros foram rejeitados.

 

Irresignados, EURÍDES e outros manifestaram recurso especial, com fundamento nas alíneas a e c do permissivo constitucional, alegaram divergência jurisprudencial e afronta dos arts. (1) 535 do CPC⁄73, por negativa de prestação jurisdicional quanto (a) a possibilidade de pagamento de indenização dos contratos adimplidos; e, (b) a existência de cobertura securitária para os vícios de construção; e, (2) 1.434 e 1.460, do CC⁄16 (423 e 760, do CC⁄02); 47, 48, 51, IV e 54, todos do CDC, por existência de cobertura securitária para os vícios de construção, sendo irrelevante o pagamento dos contratos de financiamento.

 

(1) Da omissão

 

Inicialmente, EURÍDES e outros alegaram omissão do acórdão recorrido no que se refere a possibilidade de pagamento de indenização dos contratos pagos e a presença de cobertura securitária para os vícios de construção.

 

Na hipótese, não há que se falar em omissão no acórdão do Tribunal de origem em relação aos mencionados temas.

 

É o que se extrai do voto condutor lançado nestes termos:

 

[...] Verifica-se, nos autos, que a prova pericial apurou que os danos físicos verificados nos imóveis pertencentes aos recorridos seriam decorrentes de vícios de construção (fls. 839). Ocorre que tais vícios não são objeto de cobertura na apólice reproduzida a fls. 137⁄152, já que, em matéria de danos físicos, as hipóteses são elencadas na cláusula 3ª (fls. 147) cumulada com a cláusula 5ª,"a" (fls. 149). Não é viável, ademais, atribuir-se à seguradora a tarefa de fiscalização da construção. Se alguma responsabilidade pelo ocorrido puder ser atribuída a alguém, em tese deveria ser acionado o construtor. Não bastasse isso, reconhecendo os próprios já ter ocorrido a quitação dos financiamentos (fls. 40⁄41), não mais subsiste a pretendida cobertura por ocorrências verificadas em datas desconhecidas. Quitados os saldos devedores junto à instituição financeira, não subsistem os contratos acessórios de seguro (destinado a garantir o pagamento da divida financiada) [e-STJ, fls. 1.474⁄1.475 - sem destaques no original].

 

Os embargos de declaração reclamam a presença dos pressupostos do art. 535 do CPC⁄73, ou seja, sanar omissão, contradição ou obscuridade do acórdão, o que não ocorreu no caso.

 

Há, em verdade, inconformismo de EURÍDES e outros com o entendimento que, sob a ótica deles, os desfavorece. Ocorre que os embargos de declaração não se prestam a essa finalidade, sendo recurso de natureza integrativa.

 

Nesse sentido, vejam-se os seguintes julgados:

 

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO. PROVA TESTEMUNHAL. INDEFERIMENTO. ART. 535. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. SUMULA 7⁄STJ. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Não caracteriza omissão quando o tribunal adota outro fundamento que não aquele defendido pela parte. Destarte, não há que se falar em violação do art. 535, do Código de Processo Civil, pois o tribunal de origem dirimiu as questões pertinentes ao litígio, afigurando-se dispensável que venha examinar uma a uma as alegações e fundamentos expendidos pelas partes. 2. Omissis. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp nº 566.381⁄GO, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Quarta Turma, DJe 23⁄10⁄2014 - sem destaque no original)   AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.  RECURSO INCAPAZ DE ALTERAR O JULGADO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. REVOGAÇÃO. IRREPETIBILIDADE. VERBA ALIMENTAR. SÚMULA Nº 83⁄STJ. INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. ART. 535 DO CPC. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. SÚMULA Nº 126⁄STJ. APLICAÇÃO. Omissis. 3. Não subsiste a alegada ofensa ao artigo 535 do CPC, pois o tribunal de origem enfrentou as questões postas, não havendo no aresto recorrido omissão, contradição ou obscuridade. 4. Omissis. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EDcl no AREsp nº 101.836⁄RS, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, DJe 5⁄9⁄2014)

 

Desse modo, é de se afastar a alegada violação do art. 535 do CPC⁄73.

 

(2) Da falta de interesse processual

 

A matéria aqui tratada foi objeto de exame pela eg. Terceira Turma desta Corte, no julgamento do REsp nº 1.540.258⁄PR, de relatoria do em. Min. PAULO DE TARSO SANSEVERINO, que firmou orientação de que a vigência do seguro habitacional está marcadamente vinculada ao financiamento por ter a precípua função de resguardar os recursos públicos direcionados à aquisição do imóvel, realimentando suas fontes e possibilitando que novos financiamentos sejam contratados, em um evidente círculo virtuoso. Daí porque, liquidada a dívida cessa o pagamento dos prêmios, encerrando a possibilidade de se exigir o cumprimento da obrigação da seguradora, por ausência do interesse de agir.

 

A propósito, confira-se a ementa do referido precedente:

 

RECURSO ESPECIAL. SEGURO HABITACIONAL. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. COMPETÊNCIA. ATRAÇÃO DO ENUNCIADO 7⁄STJ. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. VÍCIOS CONSTRUTIVOS. DEMANDA AJUIZADA VÁRIOS ANOS APÓS A EXTINÇÃO DO FINANCIAMENTO. CARÊNCIA DE AÇÃO POR AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR. 1. Controvérsia em torno do interesse de agir do adquirente de imóvel, mediante financiamento habitacional, de postular indenização securitária por vícios construtivos após a liquidação do contrato. 2. A vigência do seguro habitacional está marcadamente vinculada ao financiamento por ter a precípua função de resguardar os recursos públicos direcionados à aquisição do imóvel, realimentando suas fontes e possibilitando que novos financiamento sejam contratados, em um evidente círculo virtuoso. 3. Liquidada a dívida cessa o pagamento dos prêmios, encerrando a possibilidade de se exigir o cumprimento da obrigação da seguradora, por ausência do interesse de agir. 4. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. (REsp 1.540.258⁄PR, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, Terceira Turma, julgado em 15⁄5⁄2018, DJe 18⁄5⁄2018  –  sem destaques no original)  

 

Em razão de sua clareza, peço vênia para trazer à colação trecho do voto proferido pelo em. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO:

 

Especificamente acerca do interesse de agir , porque relevante, registro que o seguro habitacional, sob a égide do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), tem conformação diferenciada. Constitui seguro obrigatório voltado à salvaguarda do imóvel que garante o financiamento. O Sistema Financeiro Habitacional, nascido conjuntamente com o BNH, sustentou-se na garantia do retorno do financiamento mediante a criação de seguro obrigatório disciplinado pelo Decreto-Lei nº 73⁄66. Este o teor do enunciado normativo do art. 20 em que se estatuiu aludida obrigatoriedade:   Art 20. Sem prejuízo do disposto em leis especiais, são obrigatórios os seguros de: (...) c) responsabilidade civil do construtor de imóveis em zonas urbanas por danos a pessoas ou coisas; d) bens dados em garantia de empréstimos ou financiamentos de instituições financeiras públicas; e) garantia do cumprimento das obrigações do incorporador e construtor de imóveis; f) garantia do pagamento a cargo de mutuário da construção civil, inclusive obrigação imobiliária; (...)   A vigência do seguro habitacional está marcadamente vinculada ao financiamento, já que tem a precípua função de resguardar os recursos públicos direcionados à aquisição do imóvel, realimentando suas fontes e possibilitando que novos financiamento sejam contratados, em um evidente círculo virtuoso. Uma vez liquidada a dívida, cessa pagamento dos prêmios, anunciando-se o fim da possibilidade de se exigir o cumprimento da obrigação da seguradora. O acórdão é claro em reconhecer que a quitação ocorreu no ano 1998, tendo a parte se mantido inerte por mais de 15 anos, ajuizando a presente ação somente em 2013, com superação, aliás, do próprio prazo prescricional. Carece, assim, de interesse em postular o pagamento da indenização securitária (sem destaques no original) .

 

Na espécie, a Corte local destacou que:

 

[...] Não bastasse isso, reconhecendo os próprios apelados – EURÍDES e outros – já ter ocorrido a quitação dos financiamentos (fls. 40⁄41), não mais subsiste a pretendida cobertura por ocorrências verificadas em datas desconhecidas. Quitados os saldos devedores junto à instituição financeira, não subsistem os contratos acessórios de seguro (destinado a garantir o pagamento da divida financiada) [e-STJ, fl. 1.475 - sem destaque no original].

 

Verifica-se então que os contratos de financiamento habitacional relativos a EURÍDES e outros foram liquidados muito tempo antes do ajuizamento da presente ação de cobrança (e-STJ, fls. 40⁄41).

 

Por conseguinte, conforme destacado pela Corte local, uma vez liquidado o contrato de financiamento habitacional, não há mais pagamento de prêmio de seguro, e, por consequência, não há que se falar em cobertura securitária. Colhe-se, portanto, a ausência do interesse de agir.

 

Inafastável, na hipótese, a incidência da Súmula nº 83 do  STJ: Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida, aplicável aos recursos especiais interpostos pelas alíneas a e c do permissivo constitucional.

 

(3) Da cobertura securitária dos vícios de construção

 

Ainda que assim não fosse, no caso, o Tribunal de origem concluiu que os vícios apurados pela prova pericial não estavam cobertos pela apólice juntada aos autos, nos termos da seguinte fundamentação:

 

[...] Verifica-se, nos autos, que a prova pericial apurou que os danos físicos verificados nos imóveis pertencentes aos recorridos seriam decorrentes de vícios de construção (fls. 839). Ocorre que tais vícios não são objeto de cobertura na apólice reproduzida a fls. 137⁄152, já que, em matéria de danos físicos, as hipóteses são elencadas na cláusula 3ª (fls. 147) cumulada com a cláusula 5ª,"a" (fls. 149). Não é viável, ademais, atribuir-se à seguradora a tarefa de fiscalização da construção. Se alguma responsabilidade pelo ocorrido puder ser atribuída a alguém, em tese deveria ser acionado o construtor (e-STJ, fls. 1.474⁄1.475 - sem destaque no original).

 

Verifica-se do trecho acima que os vícios cobertos pela apólice estão limitados expressamente na cláusula 3ª cumulada com a cláusula 5º e que, por sua vez, o referido contrato de seguro não previu nenhuma indenização para os danos decorrentes de vícios de construção.

 

Logo, não há nenhum reparo a ser feito ao acórdão recorrido, tendo em conta que o objeto de cobertura da apólice está expressamente predeterminado, o que é legalmente permitido, nos termos do art. 757 do CC⁄02, que prescreve: Pelo contrato de seguro, o segurador se obriga, mediante o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados.

 

Esta Corte de Justiça possui o pacífico entendimento de que, no caso de exclusão ou limitação expressa de cobertura, é legítima a negativa de cobertura pela seguradora, porquanto as cláusulas do contrato de seguro devem ter interpretação restritiva (AgInt no AREsp 1.096.881⁄SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Quarta Turma, julgado em 15⁄3⁄2018, DJe 20⁄3⁄2018).

 

Cabe, aqui, destacar o Enunciado nº 370 da IV Jornada de Direito Civil do CJF: Nos contratos de seguro por adesão, os riscos predeterminados indicados no art. 757, parte final, devem ser interpretados de acordo com os arts. 421, 422, 424, 759 e 799, todos do CC⁄02 e 1º, III, da Constituição Federal.

 

Além disso, para se chegar a conclusão diversa da que chegou o eg. Tribunal bandeirante, ou seja, de que existe cobertura para os vícios apurados pelo perito oficial, seria necessário o revolvimento do arcabouço fático-probatório, procedimento sabidamente aqui inviável diante do óbice das Súmulas nºs 5 e 7, ambas do STJ: A simples interpretação de clausula contratual não enseja recurso especial e A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial.

 

Nesse sentido, destacam-se os seguintes precedentes:

 

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CARÁTER PURAMENTE INFRINGENTE. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE RECURSAL. RECEBIMENTO COMO AGRAVO REGIMENTAL. SFH. SEGURO HABITACIONAL. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. INTERESSE DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. INEXISTÊNCIA. COMPETÊNCIA. JUSTIÇA ESTADUAL. PRESCRIÇÃO. CIÊNCIA INEQUÍVOCA. TERMO INICIAL. VÍCIOS DE CONSTRUÇÃO NO IMÓVEL. COBERTURA. REVISÃO. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 05, 07 E 83⁄STJ. DECISÃO MANTIDA POR SEU PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL, AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. (EDcl no AREsp nº 432.721⁄SC, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, Terceira Turma, DJe 13⁄4⁄2015  –  sem destaques no original)   AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE FINANCIAMENTO E SEGURO HABITACIONAL. DANOS CAUSADOS POR VÍCIO DE CONSTRUÇÃO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. PRESCRIÇÃO. COBERTURA CONTRATUAL. REVISÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS, FATOS E PROVAS.  SÚMULAS N. 5 E 7⁄STJ. 1. Compete à Justiça estadual julgar os processos em que a discussão é limitada a vícios de construção cobertos por contrato de seguro cuja relação jurídica restringe-se ao mutuário e à seguradora e não haja comprometimento dos recursos dos Sistema Financeiro da Habitação (Recurso Especial repetitivo n. 1.091.363⁄SC). 2. Aplicam-se as Súmulas n. 5 e 7 do STJ na hipótese em que a tese versada no recurso especial reclama a análise de cláusulas contratuais e dos elementos probatórios produzidos ao longo da demanda. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp nº 319.650⁄SC, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Terceira Turma, DJe 11⁄12⁄2014  –  sem destaques no original)

 

No caso, não se mostraria plausível nova análise do contexto fático-probatório por parte desta Corte Superior, a qual não pode ser considerada uma terceira instância recursal, ainda que este seja o desejo de EURÍDES e outros.

 

Nessas condições, pelo meu voto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial.

 

Inaplicável ao caso a majoração de honorários.

 

Advirta-se que eventual recurso interposto contra este acórdão estará sujeito às normas do NCPC, inclusive no que tange ao cabimento de multa (art. 1.026, § 2º).


Documento: 84466748 RELATÓRIO, EMENTA E VOTO
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