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29 de Junho de 2022
  • 2º Grau
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Superior Tribunal de Justiça STJ - HABEAS CORPUS: HC 327445 SP 2015/0143236-6

Superior Tribunal de Justiça
há 7 anos

Detalhes da Jurisprudência

Publicação

DJ 23/06/2015

Relator

Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO

Documentos anexos

Decisão MonocráticaSTJ_HC_327445_48919.pdf
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Decisão

HABEAS CORPUS Nº 327.445 - SP (2015/0143236-6) RELATOR : MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO IMPETRANTE : RODRIGO RIBEIRO DE SOUSA ADVOGADO : RODRIGO RIBEIRO DE SOUSA IMPETRADO : TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO PACIENTE : J C S DA S DECISÃO Vistos etc. Trata-se de habeas corpus impetrado por STEPHANIE VENDEMIATTO PENEREIRO e RODRIGO RIBEIRO DE SOUSA em favor de J C S contra ato da Colenda 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo. Referiram que, em 11/08/2014, o MM. Juízo da 4ª Vara de Família e Sucessões do Foro regional de Santana da Comarca de São Paulo/SP determinou a prisão do paciente ante o inadimplemento de obrigação alimentar acordada entre o pai (alimentante) e filhos (alimentandos) relativa a alimentos devidos de setembro de 2005 a junho de 2009. Interposto agravo de instrumento, ao recurso a autoridade tida como coatora negou provimento. Manejado recurso especial, a ele a Corte de origem negou trânsito em 28/05/2015. Sustentaram a ilegalidade da prisão ora impugnada ante o caráter pretérito da dívida que ampara a ordem de prisão; a satisfação das necessidades do alimentandos no último um ano e seis meses mediante desconto em folha da pensão; a consequente demissão do alimentante acaso mantida a prisão; a impossibilidade de pagar a dívida objeto de execução; Pediram a concessão de liminar, determinando-se a libertação do paciente, ou, subsidiriamente, a alteração do regime de cumprimento para o aberto e, ao final, a concessão definitiva do habeas. É o relatório. Passo a decidir. De início, é total a ausência de elementos de prova a corroborar os fatos alegados pelos impetrantes, já que os autos limitam-se à petição de habeas corpus. Com base nos fatos na inicial narrados, todavia, possível identificar a ausência de patente ilegalidade no ato tido como coator apta a fazer indeferido o pedido de liminar. Ao que se extrai dos argumentos vertidos no writ, o devedor de alimentos acordou com os credores, seus filhos, o pagamento parcelado do débito de aproximadamente R$ 12.000,00, relativo aos alimentos vencidos de 2005 a 2009. Em nenhum momento, alegara-se e, menos ainda, demonstrara-se, que a ação originalmente ajuizada incluíra parcelas que, consoante o enunciado 309/STJ, não pudessem ser exigidas pelo rito da coerção pessoal. O acordo, especialmente por que nele havia expressa previsão do manejo da coerção acaso descumprido, como reconhecem os impetrantes na inicial, não torna pretéritas as parcelas da dívida, pois se assim o fosse, bastaria ao devedor de alimentos simular a intenção de transacionar com os credores, vindo, premeditada, mas posteriormente, a descumpri-lo, para ver-se isento do rito do art. 733 do CPC. A execução, inicialmente suspensa ante a formulação do acordo, retomara o seu curso com o novo inadimplemento pelo devedor. O débito, pois, é atual, já que vencido no curso da ação, podendo render o uso do pungente, mas eficaz, rito da coerção pessoal. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS. CELEBRAÇÃO DE ACORDO. DESCUMPRIMENTO. PRISÃO CIVIL. ART. 733 DO CPC. POSSIBILIDADE. MATÉRIA SUSCITADA EM CONTRARRAZÕES AO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O descumprimento de acordo celebrado em ação de execução de prestação alimentícia pode ensejar o decreto de prisão civil do devedor, porquanto a dívida pactuada constitui débito em atraso, e não dívida pretérita. Precedentes. 2. A tese ventilada nas contrarrazões do recurso especial acerca da impossibilidade de continuidade do feito pelo artigo 733 do Código de Processo Civil, pois teria havido a extinção da execução, não foi apreciada pela Corte de origem, razão pela qual está ausente o requisito do prequestionamento. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. ( AgRg no REsp 1379236/MG, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 12/02/2015, DJe 05/03/2015) Habeas corpus. Prisão civil. Alimentos. Execução. Parcelamento da dívida. Acordo homologado. 1. A simples homologação de acordo judicial de parcelamento de dívida alimentícia em execução, sem qualquer alteração do valor deste ou renúncia por parte do exeqüente, não impede o prosseguimento do feito executivo com decreto da prisão civil do devedor. Hipótese em que a ação de execução não foi extinta. 2. Habeas corpus denegado. ( HC 71.527/SP, Rel. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, TERCEIRA TURMA, julgado em 10/04/2007, DJ 28/05/2007, p. 320) A alegada impossibilidade de pagar o débito não é matéria apta a ser discutida em sede de habeas corpus, e, de outro lado, o pagamento parcial sustentado não torna ilegal a prisão decretada, apenas o pagamento total do débito, mediante prova inequívoca, há de afastar o constrangimento à liberdade do devedor. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL. 'HABEAS CORPUS'. PRISÃO CIVIL. DEVEDOR DE PRESTAÇÃO ALIMENTÍCIA. NULIDADE DO ACÓRDÃO QUE DEU ORIGEM AO DECRETO PRISIONAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. INSUFICIÊNCIA DO VALOR DEPOSITADO. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE NA DECISÃO QUESTIONADA. INOVAÇÃO EM SEDE DE AGRAVO REGIMENTAL. DESCABIMENTO. 1.- A alegada nulidade do Acórdão que deu origem ao decreto prisional em virtude da suposta incompetência do Órgão prolator não foi examinada pelo Tribunal de origem, não podendo, assim, ser apreciada a matéria por este Superior Tribunal, sob pena de indevida supressão de instância, tratando-se, ademais, de questão relativa à Organização Judiciária do Tribunal de origem e que deve ser decidida naquela Corte, não se admitindo a judicialização de questões desta natureza nos Tribunais Superiores. 2.- Sendo insuficiente o valor depositado, considerando o acordo vigente, deve ser aplicado à espécie o entendimento pacífico deste Tribunal no sentido de que os pagamentos parciais da obrigação alimentar não possuem o condão de evitar ou desautorizar o rito da constrição pessoal. 3.- Não se vislumbra flagrante ilegalidade na ordem de prisão combatida, tendo sido observado o disposto na Súmula STJ/309: "O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo". 4.- A alegação de necessidade de suspensão da ordem de prisão até que sejam julgados os Embargos de Declaração interpostos na origem, é matéria estranha à impetração e que, consequentemente, não foi tratada na decisão agravada, sendo a insurgência do agravante manifestamente inadmissível quanto ao ponto, diante de impossibilidade de inovação recursal em sede de Agravo Regimental. 5.- Agravo improvido. ( AgRg no HC 291.875/RJ, Rel. Ministro SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/04/2014, DJe 14/05/2014) RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. INTEMPESTIVIDADE. CARACTERIZAÇÃO. CONCESSÃO DA ORDEM DE OFÍCIO. INVIABILIDADE NA ESPÉCIE. PRISÃO CIVIL. ALIMENTOS. ART. 733, § 1º, CPC. SÚMULA Nº 309/STJ. DÍVIDA ALIMENTAR. CAPACIDADE ECONÔMICA DO DEVEDOR. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. 1. À luz do art. 30 da Lei nº 8.038/90, o recurso ordinário em habeas corpus deve ser interposto no prazo de 5 (cinco) dias. 2. A decretação da prisão do alimentante, nos termos do art. 733, § 1º, do CPC, revela-se cabível quando não adimplido acordo firmado entre o alimentante e o alimentado no curso da execução de alimentos, nos termos da Súmula nº 309/STJ, sendo certo que o pagamento parcial do débito não elide a prisão civil do devedor. 3. O habeas corpus, que pressupõe direito demonstrável de plano, não é o instrumento processual adequado para aferir as condições econômico-financeiras do paciente, pois demandaria o reexame aprofundado de provas. 4. Recurso ordinário não conhecido. (RHC 41.852/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 05/11/2013, DJe 11/11/2013) Na espécie, o juízo que decretara a prisão teria acerca da capacidade econômica do paciente pontuado que: Nesse contexto, porque os elementos constantes dos autos não comprovam a impossibilidade de suportar o executado o parcelamento módicas prestações mensais equivalentes a 5,38% do salário mínimo nacional vigente na época do pagamento -, a adoção da medida coercitiva, expressamente pactuada a fls. 104, é providência de rigor A discussão há de ser travada em instrumento outro que não o habeas corpus. Por derradeiro, o pedido de alteração de regime de cumprimento de pena, como reiteradamente tem entendido esta Corte Superior, apenas excepcionalmente poderá ser deferido e, sem a referida excepcionalidade, faria tábula rasa do importante instrumento previsto na Constituição e na legislação processual para dar a máxima eficácia à urgência do cumprimento da obrigação da prestação de alimentos. Nesse sentido: CIVIL E PROCESSO CIVIL. HABEAS CORPUS. PRISÃO CIVIL. RENOVAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. DÉBITO INCONTROVERSO. PARCELAS ANTERIORES E POSTERIORES À SEGREGAÇÃO PRIMITIVA. CUMPRIMENTO DA PRISÃO EM REGIME SEMIABERTO. EXCEÇÃO NÃO DEMONSTRADA NO CASO DOS AUTOS. ORDEM DENEGADA. 1. O STJ admite a renovação do decreto de prisão civil, no mesmo feito executivo, desde que observado o prazo máximo fixado na legislação de regência. Precedentes. 2. O inadimplemento incontroverso do devedor de alimentos, seja em relação a parcelas anteriores ao primeiro decreto prisional, seja no tocante a débito posterior, autoriza a renovação da ordem de prisão civil no mesmo processo. 3. Somente em hipóteses excepcionais, nas quais fique cabalmente demonstrada a fragilidade do estado de saúde do devedor de alimentos ou sua idade avançada é possível o cumprimento da prisão civil em regime semiaberto, circunstâncias não demonstradas no caso concreto. 4. Ordem de Habeas Corpus denegada. ( HC 297.792/SP, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 11/11/2014, DJe 21/11/2014) Ante o exposto, indefiro a liminar postulada. Determino aos impetrantes que procedam à devida instrução do habeas, no prazo de 5 dias. Após o cumprimento da diligência, dê-se vista ao Ministério Público Federal para parecer. Intimem-se. Brasília (DF), 19 de junho de 2015. MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO Relator
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